GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Dólar tem maior queda desde maio e vai a R$ 3,22 em dia de ajustes

Baixa foi atribuída essencialmente a ajustes de posições no pós-feriado e ao fluxo positivo, com ingresso de recursos externos para o mercado de ações

Paula Dias e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 19h05

O dólar teve nesta quarta-feira, 14, a maior queda porcentual em um único dia desde 19 de maio de 2017, ao fechar cotado a R$ 3,2208, com baixa de 2,26%. A baixa foi atribuída essencialmente a ajustes de posições no pós-feriado e ao fluxo positivo, com ingresso de recursos externos para o mercado de ações. A alta dos preços do petróleo e o indicador de vendas no varejo dos EUA mais fraco que o esperado também foram apontados como fatores de enfraquecimento da divisa.

O Ibovespa teve um dia de correção espelhando o bom andamento dos mercados acionários no exterior, a alta das ADRs em Wall Street e a escalada do preço das commodities pelas perspectivas de crescimento global mais forte. Isso, em meio aos ajustes técnicos ocasionados pelo vencimento de opções sobre o índice. O índice fechou em alta de 3,27%, aos 83.542,84 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 11,2 bilhões.

"O mercado esteve fechado nos últimos dois dias, quando a tendência majoritária do dólar foi de depreciação. E como o dólar já vinha em alta na última semana, o que houve foi uma readequação das cotações", disse Bruno Foresti, gerente de câmbio do Ourinvest. "Houve ainda uma forte puxada da bolsa, outro fator que influenciou o dólar", completou o profissional.

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Ainda por conta do feriado de carnaval, as operações tiveram início às 13h. Naquele momento, o dólar ainda tinha tendência de valorização no exterior, em meio à repercussão da inflação ao consumidor em janeiro, que veio acima do esperado. O dado fortaleceu as estimativas de um aperto monetário mais forte nos EUA. Já as vendas no varejo norte-americano recuaram 0,3%, enquanto o mercado esperava aumento 0,2%. Após o dado mais fraco, diversas instituições reduziram a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre, o que levou o dólar a se desvalorizar ante moedas fortes, como o iene.

Na última semana, o dólar havia subido 2,46% ante o real, em meio à forte volatilidade dos mercados internacionais e à cautela do investidor antes do feriado de carnaval no Brasil. A reação positiva dos ativos nesta quarta, portanto, já era esperada como um ajuste natural, uma vez que o cenário externo não apresentou grandes sobressaltos. Outros fatores, como os dados dos EUA e o petróleo em alta, fortaleceram o movimento do dia.

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"A ausência do noticiário político interno deu alguma tranquilidade aos mercados para se ajustarem a esses dois dias de feriado, apesar de os riscos continuarem presentes", disse Durval Corrêa, operador da corretora Multimoney. "Ainda há incertezas no cenário, como a política monetária do Federal Reserve. A volatilidade pode voltar ao cenário", afirmou. 

Câmbio. Por aqui, as blue chips se valorizaram fortemente, em especial as do setor financeiro e da Vale - influenciada pela trajetória de sua ADR em Nova York, pela elevação do minério de ferro na China em um movimento que ainda impulsionou a alta das empresas correlatas do setor de siderurgia. Vale ON fechou valorizada em 5,98%, a R$ 44,51.

Os papéis dos bancos seguiram o norte de seus pares em Nova York, que corrigiram os preços para cima uma vez que foram os mais pressionados com a volatilidade das últimas semanas. Por aqui, Itau Unibanco PN subiu 4,32%, Bradesco PN, 3,65%, Banco do Brasil ON, 4,60% e as Units do Santander, 3,54%.

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"As ações brasileiras estão tendo uma correção porque perderam bastante. A alta de desta quarta-feira reflete o preço no Brasil das ADRs que anteciparam esse fato", disse Shin Lai, analista da Upside Investor Research. 

A correção ocorre em contexto ainda incerto, uma vez que, para Lai, o mercado não precificou totalmente a dimensão do aperto monetário que será promovido pelo Federal Reserve (Fed). Dados divulgados nesta quarta-feira ajudam nas dispersões de opiniões. Se por um lado, espera-se mais inflação, por outro, vendas no varejo decepcionaram. "Podemos esperar novas quedas nos mercados acionários de NY", prevê. 

Pedro Coelho Afonso, chefe de operações da corretora Gradual, também avalia que o cenário está muito incerto tanto externamente, pela questão da política monetária nos Estados Unidos, quanto internamente, pelas eleições. Nesse sentido, a volatilidade predomina. "Estamos caminhando num mundo incerto."

Mas, segundo Lai, dados sobre o fortalecimento da economia global, como da Zona do euro onde o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,6% no quarto trimestre de 2017 ante os três meses anteriores e teve expansão anual de 2,7% no mesmo período, ajudam a dar um impulso nas commodities. O preço do petróleo no mercado internacional ajudou a impulsionar as ações da Petrobras que fecharam em alta de 1,44% (ON) e 2,56% (PN). 

De acordo com um operador, influenciou parte da correção do Ibovespa, o vencimento de opções sobre o índice. Segundo ele, os investidores estrangeiros, que dominaram as negociações no mês passado, fizeram força para levar o índice mais próximo das máximas. 

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