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Dólar tem maior queda mensal em 6 anos, junho deve seguir

A sensação de que a economia global já chegou ao fundo do poço e o Brasil deve se sair melhor do que outros países no processo de reotmada deve garantir mais entrada de dólares no Brasil em junho, mantendo o real apreciado.

JOSÉ DE CASTRO E DANIELA MACHADO, REUTERS

29 de maio de 2009 | 17h30

Analistas preveem, no entanto, que o ritmo vertiginoso de queda do dólar pode não se sustentar após os vencimentos de contratos futuros e derivativos da virada deste mês.

Em maio, a moeda norte-americana teve a maior baixa mensal desde abril de 2003, de 9,5 por cento. A cotação de 1,975 real reais no fechamento desta sexta-feira é a mais baixa desde 1o de outubro do ano passado, quando encerrou a 1,925 real na venda.

"De repente, a percepção de que a gente já atingiu o fundo do poço (na economia global) começou a se espalhar. E o Brasil está se beneficiando desse momento", disse Fernanda Feil, economista da consultoria Rosenberg & Associados, em São Paulo.

"Não acredito que seja algo que vai se manter no longo prazo... porque, de efetivo, nada foi resolvido na economia mundial. Mas, no curtíssimo prazo, digo um ou dois meses, a tendência é de os ingressos continuarem chegando ao país."

Em maio, até o dia 22, o fluxo cambial no país estava positivo em 3,086 bilhões de dólares. É a maior entrada líquida de dólares em um mês desde abril do ano passado e foi ajudada também pelas operações no segmento financeiro.

Desde a piora da crise global, com o colapso do Lehman Brothers em setembro, era apenas a conta comercial que mostrava alguma resistência.

João Medeiros, diretor de câmbio da Pioneer Corretora, acredita que em junho a tendência de apreciação do real deve continuar.

Segundo ele, a entrada de dólares no país no próximo mês será ampliada pelo "pico da safra de exportação". Nesse contexto, acrescido de uma diminuição das importações, as entradas de dólares no mercado doméstico devem se acentuar.

Refletindo essa perspectiva de ingresso de recursos no país, as posições compradas dos investidores estrangeiros caíram para os menores níveis desde o início de setembro.

De acordo com os últimos dados da BM&F, as posições futuras compradas desse grupo de investidores estão em cerca de 580 milhões de dólares. Em março, mês em que as apostas na alta do dólar atingiram o pico, essas posições chegaram a 14,3 bilhões de dólares.

DÓLARES PARA BOVESPA E INVESTIMENTO

Dados de maio deixam claro que a maior parte dos recursos externos chegou ao Brasil por meio de investimentos estrangeiros diretos e para a Bovespa.

Até por isso, a eventual taxação das aplicações externas em renda fixa seria ineficiente para brecar a apreciação do real.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negaram a volta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nessas aplicações --o que, segundo os principais jornais brasileiros, estaria sendo estudado pelo governo.

Somente nesta semana, o dólar caiu 2,5 por cento. Operadores citaram que o movimento foi exacerbado por investidores interessados em defender sua posição para o vencimento de contratos futuros e derivativos na virada do mês.

Na segunda-feira vencem 3,4 bilhões de dólares em contratos de swap cambial e, para o mercado ter lucro, é interessado que a moeda norte-americana recue.

"Acho que a tendência ainda é favorável para o real. Os investidores estão voltando de forma sincronizada aos ativos de risco, principalmente à bolsa (de valores)", considerou Antonio Madeira, economista da MCM Consultores Associados.

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