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Dólar tem quarta alta consecutiva e fecha a R$ 4,1845; Bolsa tem queda de 0,96%

Novos casos de coronavírus nos Estados Unidos e na França afetaram o desempenho de bolsas e câmbio em todo o mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 19h26

O dólar acumulou valorização de 0,48% nesta semana, marcando a quarta consecutiva de alta nesta sexta-feira, 24. Influenciado pelos temores de disseminação do coronavírus, o dólar se fortaleceu no mercado internacional, ante divisas fortes e emergentes. No final da sessão, o dólar comercial terminou em alta de 0,43%, a R$ 4,1845. No mercado futuro, o contrato para fevereiro subiu 0,26%, a R$ 4,1840.

A moeda chegou a superar nesta tarde os R$ 4,19 quando um senador americano falou da possibilidade da confirmação de um terceiro caso da doença nos Estados Unidos. Além disso, dois casos foram reportados na França. 

O dólar fechou a sexta-feira acumulando valorização no ano de 4,30%, mantendo o real com o pior desempenho ante a moeda americana em uma cesta de 34 moedas. Preocupações com o ritmo de crescimento da economia brasileira e, nos últimos dias, o temor de disseminação do coronavírus vêm pressionando a moeda, levando os investidores a buscarem proteção no dólar. Investidores estrangeiros aumentaram em mais de US$ 3 bilhões as apostas compradas em dólar este mês na B3, que ganham com a alta da divisa dos EUA.

Hoje o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que, com a queda do juros, há um "efeito migratório", com o investidor saindo da Bolsa brasileira, sobretudo quando compara com outros mercados e veem oportunidades melhores, como dos mercados da Ásia. Esse movimento explica a forte saída de recursos externos do Brasil, que tem contribuído para pressionar o câmbio. Só a B3 registra este mês saída de R$ 10 bilhões.

Bolsa

O Ibovespa se inclinou à realização de lucros nesta sexta, após ter renovado máximas históricas de fechamento por duas vezes nesta semana, na segunda-feira e na quinta - quando renovou a máxima histórica ao fechar aos 119.527,63 pontos. Sem catalisadores domésticos que o sustentassem no nível de 119 mil pontos, o principal índice da B3 fechou em baixa de 0,96%, a 118.376,36 pontos, com Petrobrás, Vale, siderúrgicas e bancos em terreno negativo na sessão. Apenas algumas ações conseguiram se salvar, com destaque para Weg (+4,49%) e Ambev (+1,82%).

O giro financeiro totalizou R$ 19,6 bilhões, um pouco mais fraco do que o observado desde o fim do ano passado, com o Ibovespa movimentando acima de R$ 20 bilhões/dia nos pregões das últimas semanas. O índice registrou leve perda de 0,09% na semana, após ter avançado 2,52% na anterior. No mês, sobe 2,36%. Na sessão, oscilou entre mínima de 118.108,30 e máxima de 119.593,10 pontos.

Após terem sido o destaque positivo do dia anterior, as ações de bancos voltaram a cair, embora de forma moderada, estendendo as perdas acumuladas no mês. Na ponta negativa da sessão - segunda ação de pior desempenho na sessão -, CSN fechou em baixa de 3,74%, ainda acumulando ganho de 5,67% no ano. Outras empresas do setor, como Gerdau (-2,21%) e Usiminas (-2,61%), também tiveram perdas na sessão, mas conservando ganhos robustos no mês, de 8,35% para Gerdau PN e de 13,77% para Usiminas.

Na véspera do aniversário de um ano da ruptura da barragem de Brumadinho (MG), e agora pressionada pela incerteza em torno da China, a ação ON da Vale fechou em queda de 3,06%, a R$ 53,80, ainda acumulando ganho de 0,94% no mês, e com perda de 5,61% na semana. 

Para a consultoria Pantheon Macroeconomics, a economia da China está mais exposta hoje às consequências negativas do coronavírus do que em 2003, durante a SARS, que colocou então a saúde pública como um fator global de risco. Em relatório a clientes, a consultoria explica que o volume de viagens internas cresceu, assim como os salários. "Além de elevar o risco de contágio, esses fatores também aumentam o potencial impacto econômico, já que o setor de serviços representa mais do que em 2003." / Altamiro Silva Junior, Luís Eduardo Leal,  André Marinho, Simone Cavalcanti e Gregory Prudenciano

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