JF Diorio/Estadão
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Dólar fecha abaixo de R$ 4,00 pela primeira vez em 15 dias com cenário político

O dólar vinha encontrando dificuldade de cair abaixo de R$ 4,00, mas nesta quarta-feira, 29, logo pela manhã, este patamar foi rompido

Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 10h30
Atualizado 29 de maio de 2019 | 19h26

O dólar teve novo dia de queda, com o real operando descolado de várias divisas de países emergentes nesta quarta-feira. Pela primeira vez desde o último dia 15, a moeda americana fechou abaixo de R$ 4,00.

Novamente a queda do dólar aqui é atribuída por profissionais de câmbio à melhora do ambiente político em Brasília, o que aumenta a percepção de que o governo começa de fato a se articular com o Congresso e aumenta a aposta de aprovação da reforma da Previdência sem tanta turbulência.

Um fluxo grande de entrada nesta quarta-feira, 29, segundo operadores, por operações de comércio exterior, também contribuiu para o recuo. O dólar à vista fechou em baixa de 1,18%, a R$ 3,9759, a menor cotação desde o dia 10. 

Nos últimos dias, o dólar vinha encontrando dificuldade de cair abaixo de R$ 4,00, que havia se transformado em um nível de resistência para a baixa.

Mas nesta quarta-feira logo pela manhã este patamar foi rompido, com as mesas de câmbio repercutindo a aprovação pelo Senado na noite da última terça-feira, 28, da Medida Provisória 870, que reorganiza os ministérios e mantém o Coaf com o ministério da Economia, mantendo a decisão da Câmara, conforme havia pedido Jair Bolsonaro.

Além disso, na terça-feira, os Três Poderes anunciaram que vão fechar um pacto para a retomada do crescimento econômico. 

"A perspectiva agora é que a reforma da Previdência ande com mais rapidez", avalia o superintendente de câmbio da corretora Intercam Jaime Ferreira, falando dos recentes eventos políticos, que deixaram os investidores mais otimistas com o cenário após um período de turbulência, que levou o dólar a superar os R$ 4,10. 

O economista-chefe do grupo financeiro holandês ING, Gustavo Rangel, acredita que o dólar pode cair ao patamar de R$ 3,40 se a reforma da Previdência for aprovada, o que ele espera que aconteça mais no final do ano, provavelmente em novembro. "A agenda legislativa continua avançando, apesar da instabilidade política."

Por enquanto, Rangel destaca que a tendência é que a moeda americana fique no intervalo de R$ 3,90 a R$ 4,10. Apesar da melhora recente, a expectativa é que o ambiente político permaneça sujeito a reveses, o que deve contribuir para manter a moeda volátil pela frente. 

No exterior, o dólar subiu ante divisas fortes, como o euro, e perante emergentes como Rússia, Índia e Indonésia. Ao mesmo tempo, caiu perante o peso mexicano, colombiano e argentino.

O dia no exterior foi marcado pelo aprofundamento da inversão das curvas de rendimento dos títulos do Tesouro americano (de 3 meses e 10 anos), que são um prenúncio de uma recessão nos Estados Unidos, destacam os estrategistas do banco Brown Brothers Harriman (BBH).

Bolsa

A aversão ao risco no mercado internacional colocou um freio no bom desempenho do mercado brasileiro de ações e o Índice Bovespa por pouco não teria sustentado sua terceira alta consecutiva. O principal índice da B3 alternou sinais desde a abertura, ora com a influência negativa do exterior, ora com o clima mais otimista com as reformas no Brasil. Ao final dos negócios, o indicador marcou 96.566,55 pontos, em alta de 0,18%. 

Lá fora, a inversão da curva de juros dos títulos do Tesouro americano se acentuou ainda mais, reforçando os sinais de recessão nos Estados Unidos. Os temores de desaceleração econômica foram ainda reforçados pelas tensões comerciais com a China e o alerta da Comissão Europeia sobre endividamento dos países, especialmente a Itália.

No Brasil, a agenda política foi mais escassa, mas manteve o investidor animado com os sinais de maior empenho do governo e dos congressistas em fazer avançar a reforma da Previdência. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou aos 96.985,83 pontos (+0,62%). Contribuíram de forma essencial para a alta os papéis do setor financeiro, que voltaram a se valorizar, refletindo queda dos juros e melhora da percepção política. Itaú Unibanco PN subiu 1,88% e Bradesco PN ganhou 1,99%. 

Na mínima do dia, registrada pela manhã, o índice marcou 95.689,78 pontos (-0,73%). Na ponta vendedora, pesaram as ações de empresas de commodities, mais alinhadas aos preços das commodities no mercado internacional. Assim, Petrobras PN fechou em baixa de 1,12% e Vale ON caiu 1,09%.

"O dia foi bem negativo la fora, em meio a questões como desaceleração econômica, guerra comercial dos Estados Unidos com a China e preocupações com a Europa. Por aqui as notícias são boas, o que está fazendo a Bolsa brasileira andar na contramão do mundo neste mês", disse Felipe Bevilacqua, economista da Levante Ideias de Investimento.

Para Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, investidores do mercado doméstico aproveitaram o dia para realizar lucros em alguns papéis. É o caso das ações do setor de consumo, que vinham reagindo às especulações sobre corte de juros. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, negou que o BC irá reduzir juros para incentivar a economia, colocando em risco o controle da inflação.

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