Dólar tem queda expressiva após alta ‘surpresa’ da Selic

Na mínima, cotação do dólar foi de R$ 2,39; elevação da Selic não era esperada pelo mercado, que vê na medida um sinal de que a política econômica de Dilma possa ser diferente da feita até agora

REUTERS e Agência Estado

30 de outubro de 2014 | 09h15

Texto atualizado às 12h50

O dólar opera em queda expressiva nesta nesta quinta-feira, 30. Na cotação mínima, registrada às 12h30, o dólar à vista estava em queda de quase 3%, cotado a R$ 2,393. O movimento ocorre após a decisão de ontem do Banco Central, que surpreendeu o mercado e elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, a 11,25% ao ano, citando maiores riscos à inflação. Dentro do BC, a avaliação é de que a alta expressiva da inflação em setembro e o avanço da moeda norte-americana de setembro para cá aumentaram ainda mais os riscos aos preços.

A Bolsa sobe hoje, influenciada pela temporada de balanços das companhias e pelo Copom de ontem. Na máxima, às 12h45, o Ibovespa registrava alta de 2,35%, aos 52.249 pontos. 

Alguns especialistas entenderam que o movimento pode ser sinal de que a política econômica no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff tende ser diferente da feita até agora, criticada por causar inflação elevada e baixo crescimento.

Por outro lado, o tom mais duro do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, e a expectativa de que osjuros nos Estados Unidos comecem a subir mais cedo trazem pressão de alta,mostrando uma tendência de enfraquecimento não só do real como de outras moedasemergentes. 

O BC é duramente criticado pelo mercado por deixar o índice oficial de inflação (IPCA) grudado no teto da meta de 6,5% por muito tempo e agora tenta deixar claro, de forma mais contundente, que não despreza as pressões inflacionárias e que buscará trazer o IPCA ao centro da meta de 4,5% no novo mandato de Dilma Rousseff. O IPCA acumulado em 12 meses está acima do teto da meta, em 6,75%.

Para analistas, a medida sinaliza que o BC busca retomar a confiança do mercado. O ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, avaliou que a alta da Selic é um sinal de que o órgão busca "recuperar a credibilidade da política monetária após o embate eleitoral", numa sinalização ao mercado de um maior rigor da política monetária.

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