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Dólar tem setembro incerto, atento a Petrobras e EUA

A indefinição sobre a oferta de ações da Petrobras e sobre o grau de enfraquecimento da economia mundial dificulta previsões sobre a taxa de câmbio em setembro, após um mês de cotações travadas entre 1,75 e 1,78 real.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

31 de agosto de 2010 | 16h51

No curto prazo, a possibilidade de entrada de recursos --principalmente pela capitalização da Petrobras-- ainda joga a favor da valorização do real. A ameaça de uma maior intervenção do governo, no entanto, limita o movimento.

A moeda norte-americana terminou agosto a 1,757 real, com queda de 0,17 por cento nesta terça-feira e variação positiva de 0,06 por cento no mês. No ano, o dólar acumula alta de 0,80 por cento.

"O mercado está há dois meses nesse 'range' de 1,750, 1,780 real... Acho que não tem fluxo de exportador para furar esse (patamar de) 1,750 real, a não ser que comecem a vir números muito favoráveis (sobre a economia global) ou a definição da capitalização da Petrobras", disse o operador de um banco dealer, que não quis ser citado.

Os dois fatores foram citados por outros analistas como as principais variáveis para o mercado de câmbio.

Sobre o cenário global, o principal evento no radar é o relatório de postos de trabalho nos Estados Unidos, previsto para sexta-feira. Uma piora mais acentuada do desemprego na maior economia do mundo pode tornar o mercado global mais sensível ao risco.

Os dados, por outro lado, poderiam incitar o Federal Reserve a adotar mais medidas de estímulo, o que favoreceria a queda do dólar no mercado internacional.

MERCADO AGUARDA PETROBRAS

Já a capitalização da Petrobras, prevista inicialmente para julho, foi adiada para setembro mas ainda é rodeada de incertezas, como o preço do barril da cessão onerosa --fundamental para a definição do total da operação e da fatia que caberá a investidores estrangeiros.

Além de não saber quantos bilhões de dólares vão entrar no Brasil para participar da operação, nem quando, o mercado avalia que o governo pode enxugar por meio do Banco Central ou mesmo do Fundo Soberano o excesso de dólares no país.

"Esse dinheiro não deve entrar no mercado diretamente, para evitar que a taxa cambial vire pó", disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora.

Os leilões de compra de dólares pelo BC não são o único evento a ser monitorado pelo mercado nesse sentido: a possível queda do dólar abaixo de 1,75 real, com uma eventual pressão extra sobre o cupom cambial, pode criar condições para um leilão de swap cambial reverso.

Em termos técnicos, o mercado ainda carrega expressivas posições vendidas, seja no futuro, com mais de 8,5 bilhões de dólares por parte de estrangeiros, seja no mercado à vista, com cerca de 12 bilhões de dólares.

De um lado, essas posições inibem pressões de alta do dólar; de outro, porém, ameaçam uma correção mais aguda caso haja piora do cenário global.

"O câmbio parece estar próximo de seu valor justo... De um modo geral, o dólar a 1,80 real parece mais consistente com os fundamentos econômicos do Brasil", escreveram analistas do Citigroup, em relatório do dia 20.

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