Dólar tem terceira maior disparada e bate R$3,29

Já se esperava que hoje fosse o sétimo dia de altas seguidas do dólar, em função da continuidade da instatisfação dos investidores com o quadro eleitoral e o desejado acordo entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional. Não apareceram vendedores no mercado de câmbio e o dólar chegou a R$ 3,29.O comercial foi vendido a R$ 3,1900 nos últimos negócios do dia, em alta de 5,80% em relação às últimas operações de sexta-feira, oscilando entre R$ 3,0310 e R$ 3,2900. Com o resultado dessa segunda-feira, o dólar acumula uma alta de 37,74% no ano e 13,12% em julho. O mercado de juros acompanhou e os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 25,950% ao ano, frente a 25,430% ao ano sexta-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 30,000% ao ano, frente a 27,550% ao ano negociados sexta-feira.Obviamente as declarações do secretário de Tesouro (equivalente a ministro da Fazenda) norte-americano, Paul O´Neill, azedaram o humor dos investidores. Ele disse que Brasil, Argentina e Uruguai são amigos e aliados importantes dos Estados Unidos, "mas precisam implantar políticas que garantam que, assim que o dinheiro complementar (do FMI) for concedido, trará benefícios e não simplesmente sairá do País para contas bancárias na Suíça".As palavras de O´Neill foram interpretadas como um indício de má vontade com os acordos em negociação, e não houve vendedores de dólar. As cotações começaram a subir e só recuaram no final da tarde quando o Banco Central entrou vendendo a cota diária definida para o mês de julho de US$ 50 milhões. O governo destinou US$ 1,5 bilhão para intervenções no mercado de câmbio neste mês. Um dos fatores de instabilidade para os investidores é que o mês só tem mais 2 dias e não está definida nem a continuidade dessa política, que não tem atendido a demanda de moeda estrangeira, que está muito alta.De maneira geral, os movimentos de hoje refletem as enormes preocupações do mercado com a continuidade da política econômica, ameaçada pela sucessão presidencial. Os investidores ainda não confiam que os dois candidatos com maiores chances de vitória manterão os contratos nem a atual gestão das contas públicas e das principais variáveis econômicas. E o seu candidato favorito, José Serra (PSDB/PMDB) não só ainda não decolou, como vem apresentando quedas nas últimas pesquisas de opinião.Quanto à crise internacional, hoje foi um dia de recuperação vigorosa. O cenário ainda é muito instável, mas as altas foram impressionantes. Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 5,41% (a 8711,9 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 5,79% (a 1335,25 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9814; uma alta queda de 0,46%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em alta de 0,30% (356,90 pontos). A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em forte alta e tentou acompanhar o otimismo nos Estados Unidos, mas se rendeu ao nervosismo local. A Bovespa fechou em alta de 0,26% em 9240 pontos e volume de negócios fraco, de R$ 676 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 31,94% em 2002 e 17,05% em julho. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, a maioria sofreu fortes altas ou baixas. O principal destaque foram os papéis da Globocabo PN (preferenciais, sem direito a voto), com queda de 9,37% e Embratel, as PN caíram 9,09% e as ON (ordinárias, com direito a voto), 9,57%. A principal alta foi Embraer ON, com 7,98%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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