Dólar termina o dia em leve alta, acima de R$ 1,74

Autorização para Tesouro Nacional comprar ativos no mercado impulsiona moeda norte-americana

Silvana Rocha, da Agência Estado,

29 de dezembro de 2009 | 17h55

O dólar no mercado doméstico fechou em alta e acima de R$ 1,74, após iniciar a sessão na mínima intraday, de R$ 1,7310 (-0,57%) no balcão. A devolução das perdas ocorreu gradativamente ao longo da manhã desta terça-feira, 29, em meio ao enfraquecimento do euro ante o dólar e o anúncio da regulamentação do Fundo Soberano do Brasil, que autoriza o Tesouro Nacional a comprar ativos no mercado.

 

A percepção entre os especialistas de que o governo lançou mais um comprador de dólares de grande porte no mercado local, além do Banco Central, amparou ajustes de posições e o avanço do preço. A moeda norte-americana iniciou os negócios vespertinos na cotação máxima, de R$ 1,7450 (+0,23%), registrada às 14h31 no balcão.

No fechamento, o pronto no balcão subiu 0,11%, a R$ 1,7430, e na BM&F ganhou 0,09%, a R$ 1,7410.

Com a proximidade do feriado de ano novo e previsão de fechamento da BM&F nos dias 31/12/2009 (quinta-feira) e 1º de janeiro de 2010 (sexta-feira), a maior parte das operações de câmbio hoje foi fechada em D+1, em vez do habitual D+2.

 

Além disso, as liquidações dessas operações, hoje e amanhã, serão feitas pelo Sistema de Transferência de Reservas (STR), em vez da Clearing de Câmbio da BM&F. Assim, hoje, houve concentração de negócios em D+1 e o giro financeiro à vista registrado até 16h40 somava cerca de US$ 850 milhões, informou a Renascença Corretora. Deste total em D+1, o dólar pronto da BM&F movimentou apenas cerca de US$ 42 milhões, segundo a assessoria de imprensa da Bolsa.

 

No mercado futuro, as rolagens de contratos de dólar prosseguiram, mas os negócios continuaram concentrados no vencimento de janeiro de 2010. Ao todo até 16h31, cinco vencimentos de dólar foram negociados, com um volume financeiro de US$ 9,593 bilhões, dos quais cerca de US$ 8,043 bilhões movimentados pelo dólar janeiro de 2010 e cerca de US$ 1,421 bilhão pelo de fevereiro de 2010. Às 16h58, o dólar janeiro/10 projetava queda de 0,14%, a R$ 1,7405, e o dólar fevereiro/10 apontava baixa de 0,20%, a R$ 1,7510.

 

No leilão vespertino, o Banco Central comprou dólar com taxa de corte de R$ 1,7417.

 

No primeiro momento pós regulamentação do FSB, o mercado fez um leve ajuste de alta do dólar à vista, mas a expectativa é de que a valorização da moeda norte-americana seja maior quando a presença do Tesouro nas mesas de operações se efetivar. O operador da Renascença, José Carlos Amado, disse à editora Cristina Canas que "o Tesouro tem poder de interferir nas cotações do dólar mais fortemente do que o Banco Central, pois ele deve atuar no escuro, provavelmente por meio de uma instituição como o Banco do Brasil e sem padrão em volume, na frequência e nos preços".

 

Para o gerente da mesa de operações do banco Indusval Alberto Felix de Oliveira Neto "falta saber como o Tesouro vai atuar, quanto haverá de dinheiro disponível para isso". O sócio da MCM Consultores Associados, Antonio Madeira, também vê nas movimentações do governo uma intenção de atingir o mercado de câmbio. Ele ressalta que as medidas de hoje autorizam o Tesouro a comprar ativos no exterior para o FSB e, para isso, será necessário adquirir dólares em mercado. "Resta saber quando vai começar", afirmou.

 

O economista Filipe Salto, da Tendências Consultoria, pensa diferente. "Mesmo com o Tesouro habilitado a comprar ativos diretamente, o FSB deve permanecer com a mesma função que tinha até agora, quando possuía somente as cotas do FFIE. Ou seja, como um instrumento de estabilização para ajudar no cumprimento das metas fiscais, se necessário."

 

Quando o FSB foi criado, em dezembro do ano passado, o governo aplicou inicialmente R$ 14,2 bilhões em títulos do Tesouro. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o saldo do FSB até novembro era de R$ 16,161 bilhões. O dinheiro é hoje uma reserva de poupança do governo no caso de necessidade de cumprimento da meta de superávit fiscal das contas públicas.

 

No mercado externo, o dólar recuperou terreno ante o euro e o iene em Nova York esta tarde depois que o rebaixamento do rating de um banco de Abu Dabi trouxe de volta os temores com o crédito e levou os investidores a buscarem a segurança da moeda norte-americana. O avanço da divisa dos EUA também foi sustentado pelos dados econômicos positivos do país.

 

A Moody's Investors Service cortou o rating do Abu Dhabi Commercial Bank para A1, de Aa3. Nos EUA, o Conference Board informou que os consumidores ficaram mais otimistas em dezembro, quando o índice de confiança do consumidor subiu para 52,9 - maior nível em dois anos -, de 50,6 em novembro.

 

Em meio ao baixo volume de negócios, o dólar superou 92 ienes pela primeira vez em dois meses, enquanto o euro era negociado abaixo de US$ 1,44. Às 17h16, o euro caía a US$ 1,4352, de US$ 1,4375 ontem; e o dólar subia a 91,88 ienes, de 91,52 ienes na véspera.

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