Dólar trava a R$1,71 com expectativa por possível IOF

A preocupação com medidas adicionais do governo no câmbio manteve o dólar estável a 1,710 real nesta terça-feira, impedindo que a moeda seguisse o viés dos mercados globais e caísse.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

28 de setembro de 2010 | 17h59

Em Londres, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, manteve em aberto a possibilidade de mais impostos para tentar frear a valorização do real, além da política de compra de dólares já adotada pelo governo.

"O dólar não rompeu (1,70 real) porque o BC disse, e pelo jeito confirmou, que ia comprar todo o fluxo da (oferta de ações) da Petrobras", disse Carlos Allievi Jr., gestor da Infinity Asset. "E pelo discurso do Meirelles hoje, pode vir mais IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)."

O governo adotou no ano passado a cobrança de IOF sobre entrada de dólares para investimentos em ações e renda fixa. Há duas semanas, porém, uma fonte do governo afirmou à Reuters que uma medida adicional no IOF seria um "último recurso".

O cenário foi outro no exterior. O euro, por exemplo, subia 1,1 por cento às 16h40, nos maiores níveis em cinco meses. Ante uma cesta com as principais moedas, o dólar caía 0,62 por cento, no menor patamar desde fevereiro.

A razão para a queda global do dólar era a expectativa cada vez maior de que o Federal Reserve anuncie medidas de estímulo à economia norte-americana na reunião do início de novembro. A queda da confiança do consumidor dos Estados Unidos ao menor nível desde fevereiro reforçou a tese nesta terça-feira.

A manutenção do viés de baixa do dólar coloca pressão adicional sobre o governo. Nesta terça, o BC realizou dois leilões de compra de dólares, após ter feito apenas uma operação do tipo na segunda-feira.

Para Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, as autoridades precisam intervir de forma menos previsível. "Existe hoje um excesso de previsibilidade com o real", afirmou.

Segundo ele, quanto mais estável o mercado de câmbio, melhores as condições para o "carry trade" e outras operações de arbitragem, que lucram com o juro alto do Brasil e reforçam a tendência de queda do dólar.

(Reportagem adicional de Aluísio Alves)

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