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Dólar vai a R$ 2,03, bolsas desabam e Lula diz que problema é dos EUA

Nervosismo com crise imobiliária americana não dá trégua e leva Bovespa à 5.ª queda seguida; dólar sobe 2,32%

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

Os mercados financeiros globais tiveram ontem mais um dia de pesadas perdas. No Brasil, o dólar fechou no maior valor desde 4 de maio, R$ 2,031, alta de 2,32%. Pelo segundo dia seguido, o Banco Central (BC) não fez leilão de compra da moeda americana. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu pelo quinto pregão consecutivo. Ontem, despencou 3,19%. Com a desvalorização, os ganhos da Bolsa em 2007 recuaram para 10,82%. Entenda a crise dos mercadosEm Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não vê a possibilidade de uma crise financeira no País em decorrência das turbulências externas. "Isso é problema dos Estados Unidos e dos bancos americanos, não é meu. Eu não estou preocupado com isso."As quedas de ontem foram motivadas por questões que os analistas classificam de "técnicas". Entre os fatores listados por eles destacaram-se: 1) resgates de fundos internacionais; 2) desalavancagem por parte de investidores no exterior; 3) uma notícia negativa envolvendo a Countrywide, maior empresa de financiamento imobiliário dos EUA; 4) e, no Brasil, o vencimento do contrato futuro de Ibovespa na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Vários fundos internacionais têm vendido ativos para cobrir prejuízos e/ou saques de clientes. A desalavancagem é um processo que, segundo os analistas, vai durar. Alexandre Lintz, economista-chefe do banco BNP Paribas, explica como funciona. "Como o crédito estava barato, empresas, fundos, etc. pegavam dinheiro emprestado para aplicar e obter rentabilidade que superava o custo do empréstimo. Os valores eram diversas vezes maiores que o patrimônio que tinham. Como os bancos cortaram essas linhas, eles têm sido obrigados a vender os ativos para pagar o que devem", disse. "Isso é a desalavancagem."As ações da Countrywide despencaram 13% depois que um relatório do banco Merrill Lynch alertou para a possibilidade de que a empresa vá à falência. O Índice Dow Jones perdeu 1,28% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 1,68%. O Índice FTSE-100 da Bolsa de Londres caiu 0,56%. George Sanders, estrategista de Renda Variável da Infinity Asset, disse que fundos de investimento brasileiros aproveitaram o vencimento de contratos futuros de Ibovespa para fazer operações que aceleraram a queda do índice no mercado à vista. "A situação já beira a insanidade", desabafou. Os investidores ignoraram os números de julho do Índice de Preços ao Consumidor dos EUA. O indicador cheio subiu 0,1% e o núcleo, que exclui alimentos e energia, 0,2%. Ambos ficaram dentro das previsões. Os especialistas ainda evitam alterar suas projeções para indicadores macroeconômicos por causa da turbulência. "Não dá para fazer revisões no meio desse nervosismo", afirmou Elson Teles, economista-chefe da Concórdia Corretora. Mesmo assim, ele já admite a hipótese de o Banco Central interromper mais cedo o ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic). "Antes da turbulência, projetávamos três reduções de 0,25 ponto, que levariam a Selic para 10,75% no fim do ano", comentou. "Agora está mais para dois cortes. Novo corte de 0,50 ponto está descartado."

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