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Dólar vai a R$ 2,46, maior valor desde junho de 2005

Moeda americana se valorizou em todos os dias da semana; alta acumulada no ano chega a 38,82%

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

O dólar engatou ontem a quinta alta consecutiva e encerrou a semana cotado por R$ 2,464, valor mais alto desde junho de 2005. Entre segunda-feira e ontem, a moeda avançou 8,54% e, no ano, acumula valorização de 38,82%. Em razão da emenda do feriado da Consciência Negra em São Paulo e no Rio, entre outras cidades, o volume negociado no mercado de câmbio ficou aquém do normal. Mesmo assim, a alta da moeda americana indica o aumento da tensão dos investidores com o ambiente econômico global."A aversão ao risco piorou", disse a economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif. Prova disso, comentou o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, foi a forte queda dos juros pagos pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Esse movimento é conhecido como flight to quality e se caracteriza pela busca dos investidores por um porto seguro para seu dinheiro. Apesar de o foco da crise estar nos EUA, os papéis do governo americano ainda são vistos como livres de risco.O economista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani, observou que, nos últimos dias, os investidores internacionais voltaram a se preocupar com os países emergentes. Além do Leste Europeu, há um temor com alguns países latino-americanos, como México, Argentina, Venezuela e Equador. "Isso indica que o real ficará mais fraco do que se pensava." Segundo analistas, mais um fator tem pressionado a moeda brasileira: os derivativos tóxicos, ou seja, apostas que empresas brasileiras fizeram no mercado futuro quando a tendência para o dólar era de queda. No entanto, o diretor de Relações com Participantes da Cetip, Jorge Santana, disse ao Estado que a exposição total e de curto prazo das empresas brasileiras a esse tipo de operação caiu nas últimas semanas. A Cetip é a entidade que organiza os negócios com derivativos em balcão (ou seja, fora do ambiente de bolsa de valores). Segundo Santana, eram US$ 98 bilhões (US$ 41 bilhões com vencimento em até 90 dias) no dia 30 de setembro. Na quarta-feira, esse valor havia caído para, respectivamente, US$ 55 bilhões e US$ 18,7 bilhões.

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