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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Dólar vai a R$1,738, menor nível desde março de 2000

A entrada de recursos no país, que serecuperou em outubro após o auge da crise de crédito noexterior, fez o dólar encerrar o mês no nível mais baixo desdemarço de 2000, a 1,738 real. A queda acumulada em outubro foi de 5,29 por cento. A baixadesta quarta-feira --quinta seguida-- foi de 0,86 por cento. O mercado de câmbio voltou a receber em outubro um volumeexpressivo de capitais após dois meses mais equilibrados. Alémda balança comercial, que manteve o superávit, foi destaque avinda de recursos para operações com ações. Um exemplo foi o IPO (oferta pública inicial de ações) daprópria Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que bateurecorde no país com volume de bilhões de reais e participaçãoexpressiva de investidores estrangeiros. "O fluxo de IPO para o Brasil ainda está aumentando, e opaís está alcançando agora o ciclo de crescimento visto naregião (América Latina) nos últimos três anos", escreveu obanco de investimento norte-americano JPMorgan, apostando nacontinuidade da valorização do real. Outro fator que contribuiu para a queda do dólar, naopinião de agentes de mercado, foi a interrupção do ciclo decortes da taxa básica de juros no Brasil. Isso tornou maisatrativos os papéis brasileiros, que mantêm um rendimento maiorem comparação com ativos de outros países. A tendência para as chamadas operações de arbitragem foiainda reforçada nesta quarta-feira, após o fechamento domercado de câmbio, com o corte de mais 0,25 ponto percentual dataxa básica de juros norte-americana pelo Federal Reserve. A convergência de tantos fatores pela queda do dólar tornadifícil a previsão sobre um possível piso para a taxa decâmbio. Para Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora,"o mercado talvez esteja olhando níveis de 1,50 (real) nocâmbio para daqui a 2 meses". Para ele, o fluxo cambial vai se sustentar nos próximosmeses. "No final de ano geralmente tem envio de recursos parafora, através de remessa de lucro (por exemplo), mas acho queainda não é suficiente para haver uma reversão de fluxo". Roberto Padovani, economista-chefe do Banco WestLB doBrasil, tem uma previsão mais comedida. "Minha projeção para oano que vem é dólar a 1,65 (real). Então, qualquer coisa entre1,65 e 1,75 é onde eu acho que ele vai operar. Para o próximomês, eu acho que ele vai testar 1,70", comentou. A queda do dólar não tem encontrado muita resistência mesmoapós a retomada dos leilões de compra promovidos pelo BancoCentral no mercado à vista. Nesta quarta-feira, o BC aceitou aomenos duas propostas, segundo operadores, e definiu taxa decorte a 1,7389 real.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

31 de outubro de 2007 | 17h12

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