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Dólar vai a R$1,877 e passa a subir no ano

Moeda americana zerou as perdas e já acumula alta de 0,43% sobre o real neste ano; mercado avalia que novo nível a ser alcançado é o de R$ 1,90

SILVANA ROCHA, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h04

Com as incertezas externas no radar, o fluxo cambial negativo de US$ 799 milhões neste mês no mercado local e a intenção explícita do governo de desvalorizar o real, o dólar manteve demanda forte ontem, que sustentou seu preço em alta ante o real pela quarta vez consecutiva. O Banco Central repetiu dois leilões de compra à vista pela quinta sessão seguida, ajudando a potencializar o ganho da moeda, já que aceitou pagar taxas acima do preço de mercado.

O dólar à vista praticamente saltou dois níveis de preço: passou de R$ 1,854 no balcão, na terça-feira, para R$ 1,877 ontem, com ganho diário de 1,24% e no maior valor desde 25 de novembro de 2011 (em R$ 1,885). O resultado não só zerou as perdas no ano como levou a moeda americana a uma alta de 0,43% ante o real em 2012. Nesses quatro pregões no azul, o dólar no balcão valorizou-se 2,74%, o que equivale ao ganho acumulado em abril.

Na BM&F, o dólar spot encerrou a quarta-feira com alta de 1,22%, a R$ 1,8739. O giro total à vista registrado pelo Banco Central somou US$ 2,54 bilhões, ou 41% menor que o anterior.

Os agentes financeiros ampliaram posições compradas no mercado local, reproduzindo em parte o movimento de alta da divisa americana no exterior em meio à queda das commodities e das bolsas, por causa das preocupações com a situação fiscal da Espanha e seu sistema financeiro.

Contudo, o salto da moeda foi determinado principalmente pelas especulações de última hora em torno da decisão do Copom para a taxa Selic. Como houve a tradicional corridinha de última hora no mercado de juros, os investidores reforçaram o hedge cambial, dando sustentação aos negócios no segmento futuro.

No mercado de dólar futuro na BM&F, o vencimento da moeda para maio de 2012 terminou com alta de 0,91%, a R$ 1,883, com giro 12% maior que o anterior, de US$ 24,195 bilhões, de um total de US$ 24,27 bilhões movimentados com seis vencimentos, todos em alta.

Durante à tarde, no entanto, o dólar chegou a saltar até R$ 1,884 (1,62%) no balcão, antes do segundo leilão de compra feito pelo BC, que fixou a taxa de corte em R$ 1,88. Essa taxa paga pelo BC novamente ficou acima do preço da moeda no balcão naquele momento, de R$ 1,876. Mais cedo, a autoridade monetária também comprou dólar a R$ 1,8703, enquanto no mercado à vista valia R$ 1,867 (0,7%). Logo após o segundo leilão, o dólar no balcão chegou a acelerar para R$ 1,880 (1,4%), mas em seguida desceu para R$ 1,887.

O gerente da mesa de câmbio da Icap Brasil, Ítalo Abucater, prevê que a próxima escala do dólar é o nível de R$ 1,90. Segundo ele, abril é mês histórico de safra agrícola no País, quando há muita exportação e entradas de recursos no mercado à vista. Isso explica o avanço gradual recente do dólar, afirma. Não fosse isso, o dólar já estaria mais alto.

Até porque, afirma ele, o fluxo cambial no mês até o dia 13 foi negativo em US$ 799 milhões, dos quais US$ 403 milhões deixaram o País na semana passada, entre 9 e 13 de abril. A saída de recursos na semana passada foi liderada pelo segmento financeiro, que amargou fluxo negativo em US$ 2,178 bilhões.

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