Dólar: varejo deve manter margem e repassar alta

A queda de braço entre a indústria e o varejo pelo repasse da alta do dólar aos preços dos produtos deve terminar com um terceiro perdedor, o consumidor. Essa é avaliação dos especialistas consultados pela Agência Estado. Segundo eles, embora o dólar não tenha ainda encontrado um ponto de equilíbrio, há cada vez menos espaço para recuo de margens no varejo. Além disso, a capacidade da indústria suportar aumento de custos sem repasses está no limite.A janela para um eventual aumento de preços pode estar se abrindo, segundo o analista do departamento de pesquisa do Unibanco Basílio Ramalho. Ele explicou que a expectativa de aumento da demanda - mesmo que passageira -, por causa das compras de Natal e da injeção de recursos na economia com o décimo terceiro salário, facilita repasses.O consultor Alberto Serrentino, da Gouvêa de Souza, destacou contudo que o repasse deverá se limitar aos alimentos e semiduráveis. Em relação aos bens duráveis, os consumidores estão preocupados com a situação da economia e devem aguardar para decidir pela compra. É que nesses casos, na maioria das vezes, o valor da aquisição é alto e a venda a prazo é comum.O analista da Tendências Consultoria Adriano Pitoli acredita que o brasileiro está mais "conservador". "O consumidor tende a esperar para comprometer a renda futura." "Aumento de preço não é bom para ninguém, afasta cliente e faz mal para a imagem", destaca Serrentino."Mas o momento pesa contra o consumidor." É o que se pode observar pelo crescimento da inflação de junho para cá, especialmente no setor de alimentos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe apontou inflação de 1,5% no segmento em agosto e de 1,46% em setembro. O IPCA mostrou aumento de 1 ,94% no quesito alimentos e bebidas no oitavo mês do ano. Num primeiro momento, as empresas tendem a comprimir margens para não perder vendas e participação de mercado. Mas a partir de um certo nível, os repasses são inevitáveis, explicou Serrentino. "Não acredito em redução de margens nos balanços das empresas de varejo," disse. "A competição acirrada faz com que as margens já estejam apertadas," complementou Ramalho.O que pode contribuir para minimizar esses repasses é a tentativa do varejo de postergar encomendas. "A negociações estão mais difíceis e sendo adiadas. Os varejistas devem esperar um cenário menos turbulento para ir às compras", disse Serrentino. A idéia, segundo ele, é esperar para ver qual será o ponto em que o dólar vai encontrar um equilíbrio.Na opinião de Pitoli, os lojistas deverão ser mais conservadores nas encomendas, especialmente em bens duráveis. "Acredito que poderemos ter estoques mais reduzidos para o Natal." Para o analista do Unibanco, contribui para essa perspectiva a análise de que as vendas de eletroeletrônicos - principalmente equipamentos de TV e vídeo - foram antecipadas para a época da Copa do Mundo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.