Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Articulação do governo preocupa e dólar fecha próximo a R$ 4

Depois de ter superado os R$ 4 pela manhã, o dólar terminou a quarta-feira em alta de 0,51%, a R$ 3,9967, maior cotação de fechamento desde 1º de outubro do ano passado

Antonio Perez e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2019 | 10h33
Atualizado 15 de maio de 2019 | 18h01

Os ativos brasileiros se descolaram do exterior nesta quarta-feira e se desvalorizaram, diante do desconforto com o ambiente político e a leitura de que a economia brasileira segue patinando. No câmbio, depois de ter superado os R$ 4 pela manhã, o dólar à vista terminou com ganho de 0,51%, a R$ 3,9967, a maior cotação de fechamento desde 1º de outubro do ano passado.

Já o Ibovespa fechou em baixa de 0,51%, aos 91.623,44 pontos, no menor patamar desde 3 de janeiro deste ano, em meio ao pessimismo com o PIB após mais um dado fraco de atividade, o IBC-Br de março.

Pesou ainda o aumento do ruído político. O principal foco de cautela é com a articulação do governo de Jair Bolsonaro, que tem sofrido derrotas no Congresso capitaneadas pelo Centrão, como a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para explicar nesta tarde, no plenário da Câmara, o corte de gastos na área. O clima no plenário esquentou depois que Weintraub fez ataques à oposição, e houve bate-boca com deputados.

Os agentes também monitoraram os protestos contra a redução de verbas para educação básica e o ensino superior, que ocorreram em várias cidades brasileiras e atraíram milhares de manifestantes. Nas mesas de operação, a avaliação é de que os atos contribuem para corroer ainda mais o capital político de Bolsonaro. Em Dallas, no Texas, o presidente chamou os manifestantes de "idiotas úteis" e "massa de manobra".

Predominou no mercado a percepção de que a desarticulação do governo pode comprometer a tramitação da reforma da Previdência no Congresso.

No exterior, as bolsas europeias e americanas fecharam no positivo, após relatos de que os Estados Unidos devem adiar em seis meses a decisão de impor ou não tarifas sobre a importação de automóveis e autopeças. Entretanto, a cautela com dados da economia chinesa e americana divulgados mais cedo aumentou a busca por segurança.

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