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Ação coordenada de BCs acalma mercado

Percepção do investidor é de que governos das principais economias mundiais devem reagir à desaceleração com mais corte nos juros

O Estado de S.Paulo

02 de março de 2020 | 11h20
Atualizado 02 de março de 2020 | 21h30

Após a pior semana desde a crise de 2008, o mercado acionário global retomou o ânimo nesta segunda, 2. Os investidores se mostraram otimistas com a percepção de que os governos das principais economias mundiais não vão tardar a conceder, de forma coordenada, estímulos monetários e fiscais para tentar amenizar o processo de desaceleração da atividade no planeta que já vem ocorrendo por causa do coronavírus. Em Nova York, os principais índices apontaram ganhos consistentes, com Dow Jones em alta de 5,09%, o S&P 500, 4,60% e o Nasdaq, 4,49%.

O clima positivo chegou ao Ibovespa, que encerrou o pregão com ganhos de 2,36%, aos 106.625,41 pontos, depois de amargar a maior perda semanal desde agosto de 2011 e mensal (fevereiro) desde maio de 2018.

Os ministros de Finanças e os presidentes dos bancos centrais dos países que integram o G-7 – nações mais ricas do mundo – realizarão teleconferência hoje para discutir resposta conjunta ao coronavírus. “Há uma expectativa para essa reunião do G-7, reforçada pelas indicações dadas por bancos centrais, entre os quais o Federal Reserve, de que algo pode ser feito com relação à economia, ante a propagação do coronavírus. Daí essa reação espalhada que vimos hoje”, disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Essa atuação conjunta dos governos é vista como necessária para tentar aplacar a espiral negativa nas economias provocada pela epidemia, que já contaminou 87 mil pessoas. A preocupação maior é com a expansão dos casos fora da China, sobretudo Itália, mais difícil de controlar. “Não é possível fazer o mesmo esquema que foi feito na China. Não dá para fechar Milão”, afirmou Paulo Nepomuceno, da área de renda fixa da Terra Investimentos.

Na sexta-feira, o presidente do Fed, Jerome Powell, já havia garantido fazer o que fosse mais apropriado para apoiar a economia. Na segunda, instituições financeiras, como o banco holandês Rabobank e o alemão Commerzbank, indicaram ser possível corte acentuado de juros. O Rabobank, inclusive, espera que as taxas cheguem a zero nos EUA já em setembro – atualmente elas estão na faixa de 1,50% a 1,75%. As apostas de um corte de 0,50 ponto porcentual dos juros nos EUA já na reunião de 17 e 18 de março são unânimes.

Corte na Selic?

No Brasil, a sinalização mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) era de que o ciclo de corte de juros seria interrompido. No entanto, na atual conjuntura, investidores passaram a apostar, de forma ainda minoritária, em mais uma redução da Selic neste mês. A taxa está na mínima histórica de 4,25%. Até porque, nos Departamentos Econômicos, as revisões para baixo do Produto Interno Bruto (PIB) são constantes.

Operadores ressaltaram que a possibilidade de um juro mais baixo no Brasil foi um dos fatores que fez com que o dólar encerrasse o dia em alta frente ao real pela nova vez consecutiva. Mesmo que bancos centrais no exterior façam o mesmo movimento, a visão é que o diferencial de taxas deve continuar baixo e desfavorável para o Brasil. Pela manhã, chegou a superar R$ 4,50, mas ao fim do dia a valorização da divisa americana foi de 0,19%, a R$ 4,4870.

No exterior, o movimento foi contrário do daqui e o dólar perdeu força ante divisas fortes e emergentes. “O câmbio vai continuar sob pressão, não vejo tendência de melhora no curto prazo”, afirmou o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo. Para ele, a probabilidade maior é de um dólar mais perto de R$ 4,50 do que de R$ 4,00 pela frente. Para o gestor e sócio-diretor da TAG Investimentos, Dan Kawa, o corte dos juros pelos bancos centrais é positivo e pode ajudar a melhorar o humor dos mercados de curto prazo, mas pode ser insuficiente para lidar com a desaceleração da atividade. / GABRIEL BUENO DA COSTA, LUIS LEAL, DENISE ABARCA E ALTAMIRO SILVA JR

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