Dólar volta a cair no início do dia

O mercado financeiro segue atento à situação argentina, mas a tendência é que a tranqüilidade predomine nos negócios hoje. Uma greve geral deve ter início à meia-noite de hoje na Argentina e a duração prevista é de 24 horas. Uma nova paralisação de 48 horas pode acontecer na próxima semana. Sexta-feira será um dia decisivo para a Argentina, já que o país terá que desembolsar US$ 700 milhões em vencimentos de títulos do governo (letes) em poder dos fundos de pensão. O ministro da economia Domingo Cavallo pretende fechar um acordo com estas instituições postergando o vencimento em 90 dias. Caso não consiga, a Argentina estará de fato em situação de defaul - leia-se calote da dívida. Esta situação poderá ficar muito pior, pois, até o final de dezembro, a Argentina tem dívidas em torno de US$ 3,07 bilhões e ainda terá que pagar o décimo terceiro salário dos funcionários públicos (veja mais informações no link abaixo). Dólar em baixa de 1,26% no início do dia No Brasil, o dólar voltou a cair no início do dia. Ontem, no final dos negócios, a moeda norte-americana foi pressionada para cima devido a boatos de que o Banco Central (BC) recompraria títulos cambiais com vencimento entre fevereiro e abril de 2002, o que diminuiria o volume de papéis corrigidos pelo dólar em movimentação no mercado. Esta perspectiva de redução da liquidez fez com que o dólar comercial encerrasse o dia em R$ 2,3800. No final do dia, o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, explicou que esta recompra de títulos está vinculada à uma venda de papéis cambiais com vencimento em 20 de janeiro de 2005 e 20 de setembro de 2006. Ou seja, o governo pretende diminuir o volume de papéis com vencimento mais curto e ofertar aos investidores títulos com duração maior. Figueiredo afirmou que o BC pretende vender os novos títulos cambiais em uma quantidade igual à que conseguir recomprar do mercado. Isso significa que a liquidez permanecerá a mesma e a operação vai apenas alongar a dívida do governo em títulos cambiais. Dos US$ 22,7 bilhões de papéis que vencem entre fevereiro e abril do próximo ano, o BC pretende trocar no máximo US$ 2 bilhões em papéis. Inflação recua em novembro Foi divulgado nesta manhã, o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de novembro. O resultado ficou em 0,71%. Analistas consultados pelo repórter Francisco Carlos de Assis esperavam um resultado entre 0,67% e 0,90%. O Índice ficou 0,12 ponto percentual abaixo do IPCA de 0,83% registrado em outubro e no ano o Índice acumulado é de 6,98%. O IPCA é usado como referência para a meta de inflação, que neste ano é de 4% com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. Ou seja, com o resultado de novembro, o limite máximo da meta já foi rompido. A forte alta da moeda norte-americana, que neste acumula uma valorização de 19,35% frente ao real, comprometeu o cumprimento da meta. Em 2002, a meta é de 3,5% também com possibilidade de alta ou baixa de dois porcentuais. Segundo analistas, novamente o comportamento do câmbio será fundamental para o cumprimento da meta. Em um cenário com 50% de chance de que se concretize, a MCM Consultores Associados espera que uma taxa de câmbio média em 2002 de R$ 2,80 favoreça um IPCA acumulado de 5,6% no mesmo período. Em um outro cenário, com 40% de chances de realização, a consultoria prevê uma taxa de câmbio média de R$ 2,30 e IPCA acumulado de 4,0% em 2002. A equipe econômica do governo já deixou claro que o objetivo de cumprimento da meta de inflação tem grande importância dentro das estratégias econômicas. Isso significa que apenas após um recuo dos índices de inflação as taxas de juros voltarão a cair. Na próxima semana, a Selic, a taxa de juros referencial da economia, será reavaliada pelo Comitê de Política Econômica (Copom). A maioria dos analistas aposta em manutenção da taxa em 19% ao ano. Veja os números do mercado financeiro Às 10h58, o dólar comercial para venda está cotado a R$ 2,35, com queda de 1,26%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 20,160% ao ano, frente a 20,300% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com alta de 0,06%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

12 Dezembro 2001 | 11h20

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