Dólar volta a fechar abaixo de R$ 2,10 com ingressos

O dólar voltou a fechar abaixo dos R$ 2,10 nesta quarta-feira, derrubado por ingressos de recursos e perspectivas favoráveis para emergentes depois do presidente do Federal Reserve sinalizar que não deve haver aumento de juro nos EUA nos próximos meses. A divisa norte-americana terminou a sessão a R$ 2,092, com declínio de 0,81%. Em depoimento ao Congresso norte-americano, seguido de sessão de perguntas, Ben Bernanke indicou que a economia dos EUA vai crescer de forma moderada em 2007 e 2008 e que os sinais de pressões inflacionárias começam a aliviar. Logo após o início do depoimento, às 13h (horário de Brasília), as bolsas dos EUA ampliaram os ganhos e os juros futuros aumentaram as chances de um corte pelo Fed no fim do ano. "Como acham que a economia americana está relativamente tranquila, a tendência é de (aposta em) títulos de países emergentes e o próprio panorama está todo positivo", resumiu Paulo Fujisaki, analista de mercado da corretora Socopa. Não dá para remar contra essa melhoria lá fora", acrescentou. A Bolsa de Valores de São Paulo subia com força nesta quarta-feira, em mais de 1%, renovando a máxima histórica durante os negócios, em 46.105 pontos. "A bolsa está trazendo muito capital, subindo cada dia mais... vem dólar de exportação, vem dólar de fora, a bolsa está trazendo dinheiro... (o dólar vai) ladeira abaixo", completou Fujisaki. Flávio Ogoshi, operador de derivativos do Rabobank, reiterou que o fluxo de ingressos colaborou para que o dólar acentuasse a queda. "Se o BC não estivesse comprando, o dólar estaria bem para baixo." Banco Central Dados do BC mostraram que o fluxo cambial está positivo nos primeiros sete dias úteis de fevereiro, em US$ 2,829 bilhões, com saldo positivo nas operações comerciais e nas transações financeiras. A autoridade monetária fez leilão de compra de dólares à tarde e definiu taxa de corte em R$ 2,0984, com operadores relatando poucas propostas aceitas. O corte ficou abaixo do valor em que o dólar era negociado no momento do leilão e a moeda norte-americana acentuou fortemente a baixa em seguida. Segundo Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, o mercado percebeu que o BC tem enxugado apenas o excesso de liquidez, o que diminui a pressão para uma alta do dólar. "Acho que a interpretação que está prevalecendo é que ele está comprando só a sobra... o que os bancos não absorvem, para segurar uma queda mais acentuada. O dólar tem caído baseado nos fundamentos da economia brasileira, (o BC) não vai conseguir inverter a trajetória", disse ela.

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