Dólar volta a fechar acima de R$ 2,00 em alta de 2,58%

Aumento da aversão ao risco levou a Bovespa a uma baixa de 3,66% - maior queda porcentual desde 2 de março

22 de junho de 2009 | 16h35

O dólar comercial fechou acima de R$ 2,00 pela primeira vez desde 28 de maio, quando chegou a R$ 2,0090. No encerramento dos negócios, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 2,0240, em alta de 2,58% em relação aos últimos negócios de sexta-feira. O dólar abriu em R$ 1,9950 e ficou em alta durante todo o dia. A cotação desta segunda-feira é a mais alta desde 25 de maio - R$ 2,0250.

  

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A alta da moeda norte-americana reflete o nervosismo no cenário externo e o aumento da aversão a risco. Esse pessimismo foi reforçado por um relatório do Banco Mundial divulgado nesta segunda-feira, que piorou seu prognóstico para a performance da economia global neste ano, para contração de 2,9%, ante projeção anterior de queda de 1,7%.

 

Para o Brasil, a entidade estima uma contração de 1,1% neste ano, ante cenário anterior de crescimento de 0,5%. Neste cenário, os investidores aumentaram a procura por dólares no mercado à vista e futuro, o que pressiona para cima as cotações.

 

A expectativa de alta do dólar é justificada também por dúvidas em torno da reunião de política monetária do Federal Reserve (banco central americano), amanhã e na quarta-feira, disse o operador de câmbio José Carlos Amado, da Renascença Corretora.

 

No exterior, o dólar seguiu em alta ante o euro e a libra esterlina, enquanto as bolsas norte-americanas mantêm perdas elevadas. Às 16h07, o euro caía 0,49%, a US$ 1,3873; a libra esterlina perdia 0,88%, a US$ 1,63515.

 

Mercado de ações 

 

Num processo global de aversão a risco, os investidores se desfizeram de commodities e papéis de países emergentes e procuraram ativos como o dólar. Assim, o Ibovespa - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - fechou abaixo de 50 mil pontos pela primeira vez em junho, para a menor pontuação em mais de um mês. Em Nova York, o Dow Jones recuou 2,35% e o Nasdaq cedeu 3,35%. No Brasil, a Bovespa fechou em baixa de 3,66% - maior queda porcentual desde 2 de março (-5,10%).

 

As perdas foram ainda maiores durante a sessão, quando chegou a marcar 49.411 pontos (-3,82%). Mesmo na máxima, não chegou a subir: 51.367 pontos (-0,01%). No mês, a Bovespa acumula perdas de 6,96% e, no ano, sobe 31,81%. O giro financeiro totalizou R$ 4,625 bilhões. Os dados são preliminares.

 

O sinal predominante em todos os pregões hoje foi o de baixa. Os investidores encontraram num documento do Banco Mundial uma justificativa concreta para jogarem seus temores sobre a recuperação da economia global. Diante dessa nova perspectiva, os investidores aproveitaram para embolsar uma boa parte dos ganhos que obtiveram com a compra de ações no mercado doméstico este ano.

 

Além da saída de estrangeiros da Bovespa, a queda das commodities e a oferta de ações da VisaNet ajudaram a explicar o tombo do índice. Segundo os especialistas, pelo porte da operação da VisaNet, estaria havendo realocação de portfólio. "A oferta da VisaNet é muito grande e não está havendo espaço para entrada de muito dinheiro novo. Certamente os investidores estão realocando seus investimentos, vendendo ações como blue chips", exemplificou o economista da WinTrade José Góes.

 

Para Góes, a queda de hoje foi apenas um movimento de realização - venda de ações para embolsar o ganho obtido -, já que a Bovespa havia sido puxada por um otimismo exagerado. "Mas não acho que a Bolsa entrará numa tendência baixista, abaixo de 47 mil pontos. Neste intervalo, começa a haver chamada de compras, porque muita gente acabou ficando de fora da tendência altista e deve querer aproveitar", comentou.

 

Por causa das incertezas sobre a recuperação da economia, o petróleo fechou em baixa, diante de uma perspectiva de demanda menor. Na bolsa eletrônica de Nova York, o contrato para julho terminou a US$ 66,93 o barril, com variação negativa de 3,77%. No Brasil, Petrobras também teve perda forte, de 4,12% na ON e 3,41% na PN.

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