Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar volta a R$ 3,05 depois de quase dois anos

BC brasileiro cortou o juro, animando os investidores, enquanto seu equivalente americano sinalizou que não deve subir a taxa em breve

Reuters

23 de fevereiro de 2017 | 17h32

O dólar fechou em queda nesta quinta-feira, pela segunda sessão consecutiva e voltando ao patamar de R$ 3,05 depois de quase dois anos, após o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, não endossar apostas de aumento de juros em breve e em meio ao ambiente de taxas mais baixas no Brasil que alimentavam avaliações mais positivas sobre a economia. A moeda americana recuou 0,55%, a R$ 3,0531 na venda, menor cotação de fechamento desde 21 de maio de 2015.

"Além de o mercado achar que o Fed não deve subir o juro agora em março, o BC brasileiro cortou a Selic, o que ajuda a impulsionar a economia e deixa investidores satisfeitos", comentou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.

Na véspera, a ata do último encontro do Federal Reserve mostrou que muitos membros do colegiado disseram ser apropriado aumentar os juros "em breve", caso os dados de emprego e inflação estejam alinhados com as expectativas. O Fed se reúne novamente para tratar de política monetária nos dias 14 e 15 de março.

Entre os membros com direito a voto, no entanto, havia muito menos urgência de aumentar as taxas, com muitos vendo apenas "risco modesto" de que a inflação aumentaria significativamente e que o Fed "provavelmente teria tempo suficiente" para responder se surgissem pressões sobre os preços.

Dessa forma, os investidores ganharam tempo para deixar seus recursos aplicados em outras praças, como a brasileira. Juros maiores pelo Fed têm potencial para atrair recursos à maior economia do mundo.

No exterior, o dólar caía ante uma cesta de moedas e divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

O dólar também recuou no Brasil com o cenário um pouco mais positivo para a economia brasileira, após o BC reduzir a taxa básica de juros na noite passada em 0,75 ponto percentual, a 12,25%, e deixar a porta aberta para acelerar o passo em breve.

Além disso, mesmo com os cortes, a Selic ainda é a maior taxa do mundo, segundo a corretora Infinity, o que mantém a atratividade do mercado brasileiro aos investidores.

O movimento da moeda norte-americana, entretanto, não foi uniforme durante todo o dia. Quando foi para as mínimas, atraiu compradores, que aproveitaram os preços baixos para recompor carteiras e diminuíram o recuo do dólar ante o real momentaneamente.

"Como semana que vem tem o Carnaval, muitos investidores se anteciparam e o preço baixo foi um atrativo", comentou o operador de câmbio de uma corretora local. "Com a folga, não descarto um dólar mais pressionado na sessão de amanhã", emendou.

O BC vendeu o lote integral de 6 mil swaps tradicionais - equivalentes à venda futura de dólares - nesta sessão, rolando apenas parte (equivalente a US$ 2,4 bilhões) dos US$ 6,954 bilhões em swaps que vencem em março. A autoridade não costuma fazer leilões no último pregão do mês que, por causa do Carnaval, acontece nesta sexta-feira.

Bovespa. Depois de uma manhã positiva, a Bovespa perdeu fôlego e cedeu a um movimento generalizado de realização de lucros. O Índice Bovespa oscilou 2.209 pontos, entre a máxima de 69.488 pontos (+1,31%) e a mínima de 67.279 pontos (-1,91%). Fechou aos 67.461,39 pontos, com queda de 1,64%. A onda vendedora no período da tarde chegou a pegar alguns players de surpresa, o que acabou por gerar um movimento de zeragem de posições à tarde. Essas operações ampliaram o volume negociado na Bolsa, que totalizou R$ 10,6 bilhões, superior à média dos últimos dias. 

Mesmo com o resultado de hoje, o índice ainda acumula ganhos nominais de 4,32% em fevereiro e de 12,01% em 2017. Se considerado o índice dolarizado, a alta nesses períodos passa a 7,63% e 19,31%, respectivamente. Em algumas ações específicas, como as da cadeia do aço, os ganhos são bem mais expressivos.

Diversos analistas recorreram às análises gráficas para justificar esta que foi a segunda maior queda porcentual do ano. Nessas análises, o patamar dos 69 mil pontos se mostra como uma resistência bastante forte, antecedendo a dos 74 mil pontos, que representa o recorde histórico do índice.  

"Se observarmos o noticiário recente, não havia motivo para a queda da Bolsa. Tivemos redução de juros dentro do esperado e balanço da Vale sem surpresas", disse Ariovaldo Santos Ferreira, gerente de renda variável da Hencorp Commcor. "Mas o mercado vinha subindo em antecipação a uma melhora da economia. Graficamente, o Ibovespa bateu o objetivo (69 mil pontos) e voltou", afirmou.

Embora as quedas tenham sido generalizadas, as ações da Vale e das siderúrgicas estiveram entre os principais destaques do dia. A mineradora teve lucro líquido de US$ 525 milhões no quarto trimestre de 2016. No ano, o lucro líquido chegou a US$ 3,982 bilhões, ante prejuízo de US$ 12,129 bilhões em 2015. O resultado no geral foi considerado dentro do esperado. Esse resultado sem surpresas, associado à queda do minério de ferro, teria justificado uma correção, afirmaram analistas. Assim, Vale ON e PNA caíram 4,38% e 4,15%, respectivamente.

(COLABOROU PAULA DIAS)

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