Dólar volta a R$1,75 e segue atento a Dubai e governo

O dólar fechou acima de 1,75 real nesta segunda-feira, anulando a queda acumulada ao longo de novembro, por conta do vencimento de contratos futuros e da cautela internacional com ativos de maior risco.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

30 de novembro de 2009 | 17h08

A moeda norte-americana encerrou a 1,756 real, com alta de 0,75 por cento na sessão. No mês, após ameaçar cair abaixo do piso de 1,70 real no dia 9 de novembro, o dólar teve variação zero.

A recuperação da moeda norte-americana no final do mês coincidiu com o anúncio dos planos de reestruturação da dívida de duas empresas de Dubai e o consequente aumento da aversão ao risco no mercado global.

A notícia provocou um movimento de proteção nos mercados futuros, com a compra líquida de cerca de 2 bilhões de dólares por parte de estrangeiros em apenas dois dias, segundo dados da BM&FBovespa que consideram contratos de cupom cambial.

Nesta sessão, profissionais do mercado atribuíram a alta do dólar, em parte, ao interesse de agentes com posições compradas na moeda norte-americana --que se favorecem com a definição de uma taxa mais alta para a liquidação de contratos futuros.

Segundo analistas, os desdobramentos do caso de Dubai devem seguir no radar do mercado em dezembro. A garantia de que os Emirados Árabes Unidos vão manter a liquidez do mercado local, porém, pode reduzir o ímpeto da alta do dólar.

"Seria preciso uma crise maior em Dubai (para a desvalorização do real continuar em dezembro). Aí o dólar poderia ir até próximo de 1,80 (real)", avaliou Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros. "Caso contrário, deve ficar entre 1,70 e no máximo 1,75 (real)."

MERCADO MONITORA GOVERNO

Analistas consideram que a tendência de queda do dólar permanecerá em dezembro por causa dos fundamentos do país, que continua a atrair capitais.

Thais Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, até ponderou que "no meio de dezembro a gente pode ter algum movimento sazonal de saída de recursos para fechamento de carteira". Mas reconheceu que "vai continuar tendo uma entrada de recursos muito grande".

Um fator que pode frear a queda da moeda norte-americana no nível de 1,70 real é a expectativa de novas medidas do governo para brecar a valorização do real. Ao longo de novembro, esse motivo foi apontado por analistas em muitos dias para justificar a hesitação do dólar em ampliar a baixa.

Em outubro, o Ministério da Fazenda instituiu a cobrança de 2 por cento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de capital para aplicações em ações e renda fixa. No mês passado, o governo decidiu pela cobrança do imposto, com alíquota de 1,5 por cento, sobre operações com recibos de ações brasileiras no exterior.

Mas Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria, acredita que a incerteza do mercado a respeito de eventuais medidas adicionais do governo pode não ter mais combustível para evitar a subida do real. "A expectativa é que, se vierem novas medidas, serão medidas mais complementares", disse.

"Pode gerar alguma volatilidade, mas a nossa aposta é que essa tendência de depreciação (do dólar) não será afetada", completou Salto, que prevê dólar a 1,65 real no final do ano.

Tudo o que sabemos sobre:
DOLARFECHAATUA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.