Dólar volta a subir e fecha em R$ 2,137

Comentários do diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, em Londres, influenciaram alta

04 de junho de 2013 | 20h08

SÃO PAULO - O dólar até recuou ante o real no início desta terça-feira, 4, em função do leilão de títulos cambiais promovido pela Cetip. Mas comentários do diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Mendes, fizeram a moeda americana voltar a subir de forma consistente no início da tarde.

Em entrevista coletiva em Londres, ele afirmou que "não está preocupado" com a recente oscilação do real e disse que, com a percepção de mudanças nos EUA, "será inevitável que haja a apreciação do dólar e consequente depreciação de outras moedas". Os comentários fizeram o dólar atingir a máxima de R$ 2,150 no mercado de balcão, em alta de R$ 1,03%. Mais tarde, após nova fala de Aldo ao Broadcast e com certa melhora dos mercados no exterior, o dólar encerrou a R$ 2,1370, em alta de 0,42%. Os rumores sobre a possibilidade de redução do IOF para renda fixa também ajudaram na desaceleração do dólar.

Com a oscilação de hoje, o dólar acumula recuo de 0,47%, mas avanço de 4,50% em 2013. Na cotação mínima, verificada às 11h06, a moeda chegou a ser cotada em R$ 2,111, em baixa de 0,80%). Às 17h11 (horário de Brasília), o dólar para julho era cotado a R$ 2,1380, em alta de 0,09% - em meio à expectativa com o resultado da reunião de hoje do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com a presidente Dilma Rousseff.

Logo cedo, o leilão de títulos cambiais em poder do Banco Econômico, marcado para as 10 horas, já trazia um viés de baixa para o dólar ante o real, a despeito da força da moeda americana ante outras divisas no exterior. No leilão, foram ofertadas 3,593 milhões de Notas do Tesouro Nacional - Série A3 (NTN-A3), numa operação cujo efeito prático, conforme operadores, era muito semelhante à negociação, pelo Banco Central, de swaps cambiais tradicionais (equivalente à venda de moeda no mercado futuro). O montante total da operação foi de R$ 8,02 bilhões e dez instituições participaram.

Pouco depois das 11 horas, com o leilão da Cetip finalizado, o dólar marcou sua mínima de R$ 2,111 no balcão. Em Londres, porém, o diretor de Política Monetária do BC começou a falar sobre o câmbio a jornalistas. "O movimento de hoje, ontem, mostra que estamos em linha com outras moedas. As moedas emergentes provavelmente vão se desvalorizar em relação ao dólar. Não é uma situação particular do Brasil", comentou.

os comentários fizeram o dólar sair de R$ 2,111 para a máxima de R$ 2,15, pouco depois das 13 horas. "O Aldo Mendes puxou tudo", resumiu profissional da mesa de câmbio de um grande banco brasileiro.

Pouco depois das 14 horas, Aldo voltou a falar, desta vez ao Broadcast, e disse que "as moedas emergentes estão caminhando juntas, mas se o real se descolar, é motivo para intervenção". A declaração foi interpretada por operadores como um sinal de que, embora o BC enxergue um movimento de alta para o dólar, ele continua atento e pode intervir.

Mais tarde, a moeda passou a desacelerar a alta no mercado à vista e, no futuro, se reaproximava há pouco da estabilidade. Profissionais citavam a melhora do ambiente no exterior e a possibilidade de o governo alterar a tributação de IOF que recai sobre a renda fixa - o que poderia atrair dólares para o Brasil. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, está reunido com a presidente Dilma Rousseff e deve falar com a imprensa ainda hoje

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