Dólar volta para R$ 3,00 depois de ligeira queda

O mercado financeiro opera nervoso hoje, em função de novos boatos sobre as pesquisas eleitorais. O dólar era vendido às 13h06 a R$ 3,00, com alta de 1,83% em relação ao fechamento de ontem. Pouco antes, às 12h03, o dólar já havia batido em R$ 3,00, um recorde histórico. Depois recuou um pouco, atingindo a mínima de R$ 2,982. No ano, o dólar acumula alta de 29,53%.Essa piora do mercado está sendo atribuída a novos rumores sobre a corrida presidencial. Segundo estes rumores, uma nova pesquisa eleitoral mostraria uma eventual vitória do candidato Ciro Gomes sobre o Luiz Inácio Lula da Silva, no caso de haver um segundo turno entre os dois. O forte crescimento de Ciro preocupa o mercado financeiro, que teme uma saída de recursos externos (dólares) através da conta CC5.Isso acontece porque Ciro fez recentemente, em entrevista à Globonews, pesadas críticas ao que chamou de "farra" das remessas ilegais por essa conta. Este tipo de crítica preocupa o mercado porque poderia ser uma sinalização de que o candidato poderá adotar medidas contra a saída de dólares do Brasil, uma vez eleito. Diante do risco de a porta de saída dos dólares ficar mais estreita, os investidores antecipam o envio de dólar ao exterior, o que pressiona as compras e conseqüentemente a cotação da moeda. Outros mercadosO nervosismo não se limita ao mercado de dólares. A Bolsa de Valores de São Paulo registra hoje uma baixa de 2,06%, o que representa uma perda de 28,32% no ano. É uma perda muito expressiva para uma bolsa que já não estava cara. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones até está subindo hoje, 0,76%, mas isso não anima o mercado brasileiro. O fato é que o cenário econômico interno e a crise de confiança nos Estados Unidos, em função das fraudes nos balanços de empresas norte-americanas, não permitem ver boas perspectivas para as ações brasileiras.No mercado de juro, o nervosismo também é a tônica das últimas semanas, e hoje as taxas novamente estão em alta. Os contratos futuros com vencimento em janeiro sinalizam juros de 22,7% ao ano no período, com alta de 0,60 ponto percentual, bem acima da taxa de 18% ao ano da Selic, que esta sendo praticada apenas em operações de curto prazo. Os títulos com vencimento em um ano (swaps), por sua vez, já estão pagando juros de 27,53% ao ano, com alta de 0,23 ponto percentual. Isso mostra claramente que o mercado está cobrando juros mais altos no longo prazo em função de haver um receio de que o próximo governo tenha que renegociar sua dívida, alongando os prazos.

Agencia Estado,

25 de julho de 2002 | 13h08

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