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Uma das surpresas desta crise é a pronta recuperação dos preços do petróleo e das outras commodities (alimentos e minérios metálicos), bem mais acelerada do que anunciavam os analistas.O petróleo, por exemplo, atingiu o pico de US$ 146 por barril de 159 litros em julho de 2008, afundou para US$ 34 em fevereiro e ontem fechou a US$ 74, mais de 100% acima do seu menor nível.Isso significa três coisas. Primeira, que a escalada anterior não era explicável apenas pela forte especulação; havia demanda real. Segunda, no início deste ano, os estoques não estavam tão elevados como parecia. E terceira, uma vez confirmada a recuperação da atividade econômica, como ainda ontem sugeriu o presidente do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, nova escalada parece inevitável, sabe-se lá com que intensidade.Isto posto, é preciso perguntar como fica o Brasil, grande produtor de commodities, se a alta se confirmar. Faturar com exportações é ótimo. Mas o impacto sobre o câmbio é um problema.Quem mais derruba a cotação do dólar no Brasil não é o especulador financeiro nem o investidor estrangeiro. O grande responsável pela baixa do dólar no câmbio interno é o exportador brasileiro, justamente quem mais se julga prejudicado pela política cambial. Se o governo atendesse aos reclamos do exportador e providenciasse uma forte desvalorização do real, maiores seriam as exportações e, portanto, o efeito subsequente seria maior entrada de dólares no câmbio interno.Em maio, as reservas externas estavam em US$ 204 bilhões. De lá para cá, o Banco Central as aumentou em mais US$ 10 bilhões, perfazendo um total de US$ 214 bilhões. Mas não há sobras de moeda estrangeira zanzando no câmbio. Todas elas estão sendo arrebatadas pelo Banco Central. E, no entanto, as cotações não param de cair e provavelmente cairão ainda mais.Qual é o limite? Não dá para saber previamente porque o dólar também está em franca desvalorização ante as demais moedas. No entanto, dá para dizer que o piso de R$ 1,60 já foi testado (em julho de 2008) e não se sustentou, uma vez que os resultados da balança comercial começaram a desandar. Esta é a única referência disponível.O problema está longe de ser apenas conjuntural. Nada parece capaz de impedir que o Brasil siga cumprindo sua vocação de grande exportador de commodities. E se tornará maior ainda quando as jazidas do pré-sal começarem a bombear petróleo para a superfície. A rigor, o impacto sobre o câmbio começará antes disso, à medida que os investimentos, provavelmente superiores a US$ 600 bilhões, injetarem dólares no mercado interno.Essa paisagem aponta para a ameaça de que o Brasil se torne vítima da doença holandesa, a do detentor de riqueza que atrai ainda mais moeda estrangeira a ponto de ameaçar a competitividade da indústria.Isso significa que será preciso preparar a economia para este impacto. Parece inevitável que isso exija forte derrubada do custo Brasil, por meio da queda da carga tributária e mais investimentos em infraestrutura para baratear a cadeia produtiva. Mas isso, outra vez, passará pelas reformas que o governo até agora não foi capaz de levar adiante.

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