Dona da Cori é acusada de usar 'trabalho escravo'

Uma oficina que presta serviços para a empresa Gep Indústria e Comércio, dona das marcas Luigi Bertolli, Cori e Emme, de moda feminina, está sendo acusada de trabalho escravo pela Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

LÍLIAN CUNHA, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2013 | 02h05

Na terça-feira a Silobay, que fica no Bom Retiro, em São Paulo, foi alvo de uma operação conjunta do MPT e do MTE, que constatou que imigrantes trabalhavam em regime de servidão por dívida, o que, segundo o MPT, caracteriza trabalho escravo

Trinta e dois bolivianos trabalhavam na oficina de costura da empresa em São Paulo. Os estrangeiros dormiam na própria oficina, com fiações elétricas expostas, sujeitos a risco de incêndio, segundo informou o Ministério Público do Trabalho. No ambiente de trabalho, segundo o MPT, não havia água potável para consumo.

Os bolivianos, conforme o ministério, tinham que pagar por sua alimentação, pelas despesas com o visto e com a viagem de vinda para o País. Eles trabalhavam de segunda a sábado, por treze horas e ganhavam de R$ 0,80 a R$ 4,50 por peça confeccionada, conforme o MPT.

Multa. A oficina de costura assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), no qual se compromete a regularizar a situação de seus trabalhadores e a pagar cerca de R$ 700 mil em indenizações individuais, além de R$ 450 mil por danos morais coletivos.

Na tarde de ontem, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex)divulgou nota afirmando que a Silobay "nunca constou no sistema da Certificação de Fornecedores-Abvtex como fornecedor certificado. Segundo a entidade, só recebem a certificação empresas que obedecem "às boas práticas de responsabilidade social e relações do trabalho".

Em nota, o grupo Gep divulgou que só contrata fornecedores homologados pela Abvtex e que foi "surpreendida" pelas denúncias. A companhia disse também que irá excluir a Silobay de seu quadro de fornecedores e que considera a "abertura de processo judicial em função de possíveis prejuízos que tal atitude possa acarretar".

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