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Dona da Daslu sai da prisão após habeas corpus

Medidas também beneficiam demais condenados; para a advogada de Eliana, foi uma decisão ?técnica e justa?

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

Depois de passar uma noite em uma cela individual na Penitenciária Feminina do Carandiru, a empresária Eliana Tranchesi, dona da Daslu, foi libertada antes das 20 horas graças a dois habeas corpus. A primeira liminar para a revogação da prisão foi concedida pelo desembargador Luiz Stefanini, do Tribunal Regional Federal em São Paulo, atendendo a um pedido da empresária e de outras três pessoas condenadas no mesmo processo. O segundo habeas corpus foi concedido pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes para o irmão de Eliana, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, preso no Centro de Detenção Provisória em Pinheiros, com efeito extensivo a ela e aos demais cinco condenados. Dos sete, quatro (Roberto Fakhouri Junior, André Beukers, Rodrigo Nardy Figueiredo e Christian Polo, donos de importadoras) não chegaram a ser presos e eram considerados "foragidos" pela Polícia Federal. Além de Eliana e seu irmão, o empresário Celso de Lima, da importadora Multiport, também foi preso na quinta-feira.Os sete empresários tiveram a condenação pedida pelo Ministério Público Federal em abril do ano passado, com a conclusão da Operação Narciso, deflagrada em 2005.Eliana chegou em casa por volta das 20h30 e, segundo sua advogada Joyce Roysen, ela estava "um pouco abalada", embora tenha sido "bem tratada" pelas companheiras de presídio e funcionárias. Eliana também participou de uma oração com outras detentas e considerou "boas" as condições de sua cela. No cardápio da penitenciária, arroz com feijão e frango, além de salada de pepino. Para a advogada de Eliana, o habeas corpus foi uma "decisão técnica e justa". "A decisão se baseou na inconstitucionalidade da prisão de Eliana e nada tem a ver com o estado de saúde dela", declarou.Além do habeas corpus para que sua cliente aguarde em liberdade o julgamento do processo, Joyce fez um pedido de revogação da prisão à juíza Maria Izabel do Prado, da 2ª Vara da Justiça Federal de Guarulhos, responsável pela condenação dos donos da Daslu e das importadoras, alegando estado grave de saúde de Eliana. A empresária está em tratamento de radioterapia e quimioterapia por causa de um câncer no pulmão com metástase na coluna.Uma vez obtida a liberdade, a advogada agora pretende entrar com recursos contra a condenação. "Agora vamos entrar com todos os recursos cabíveis contra uma condenação absurda", disse ela. "Acreditamos na Justiça e que se fará justiça à Eliana. O habeas corpus é o primeiro passo."FREE ELIANAA condenação de Eliana foi um dos temas mais quentes nos blogs de moda e de colunáveis ontem na internet. Por iniciativa da relações públicas da Daslu Monica Mendes, foi criado o movimento "Free Eliana", cujo símbolo é uma fitinha verde, o "laço da esperança". Mônica convocou os admiradores de Eliana e da Daslu a espalhar o símbolo em blogs e também nos perfis pessoais no MSN, Facebook, Twitter e outras redes sociais. Ontem na butique Daslu, em São Paulo, o movimento era fraco, mas o clima era como se nada tivesse acontecido. Para muitos clientes que estavam se programando para fazer compras na butique, a prisão de Eliana, não foi um impedimento. "Achei que ia estar fechada, mas ai vi que estava tudo normal e vim", disse a estudante Maria Carta, 19 ano. "Todo mundo está com dó, por ela estar com câncer. Mas não foi a primeira vez, acho que ela tinha que ter tomado mais cuidado." Alguns clientes demonstraram indignação com a condenação da empresária. "Tira o talão de cheques, faz ela pagar multa. Mas não precisa ir algemada para cadeia, ainda mais no estado de saúde dela, achei um absurdo", afirmou outra cliente que preferiu não se identificar.

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