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Dona da JBS estrutura operação para disputar mercado de saneamento

Em meio à crise hídrica e à atuação cada vez mais forte de empresas privadas em saneamento, a J&F Investimentos, holding do frigorífico JBS que pertence à família Batista, vai entrar no setor com a criação da Zetta Ambiental. A ideia é disputar concessões já em 2015, segundo fontes.

STEFÂNIA AKEL, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2015 | 02h04

Ainda sem ativos, a Zetta Ambiental está sendo estruturada como um braço da Zetta Infraestrutura, empresa criada no fim do ano passado pela holding para adentrar as áreas de construção, energia e saneamento.

O time para tocar a empresa já começou a ser recrutado no mercado. Rafael Garofano, que atuou na OAS entre 2008 e 2012, tornou-se, este mês, gerente de novos negócios da Zetta Ambiental. O executivo é membro da Comissão de Saneamento Básico do Instituto dos Advogados de São Paulo e já atuou brevemente também na área de concessões da Mendes Júnior, entre junho e dezembro do ano passado. OAS e Mendes Júnior estão entre as empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato, que investiga denúncias de corrupção na Petrobrás.

Além do setor de saneamento, a Zetta Infraestrutura vai atuar em energia, logística, desenvolvimento urbano e iluminação pública. Somente o segmento de energia está mais evoluído e já era uma aposta da J&F antes da criação da Zetta. Em meados do ano passado, Augusto Cesar Uzêda, ex-diretor da área internacional da OAS, foi contratado pela J&F para comandar a Zetta Infraestrutura.

Sem revelar investimentos, a J&F informou ao Broadcast, serviço de notícia em tempo real da Agência Estado, que "por enquanto não há movimentação" por parte da Zetta Ambiental para disputar os ativos. "É uma estrutura que está sendo montada e foi criada devido ao potencial do setor", disse a companhia.

Crise hídrica. A atual crise hídrica vem sendo vista como oportunidade por empresas privadas de saneamento. A Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) avalia que o ambiente estará mais favorável para investimentos privados no setor em 2015. A previsão da associação é de que a participação das empresas privadas no mercado brasileiro de saneamento passará dos atuais 10% para 30% nos próximos 15 a 20 anos.

Hoje, empresas do setor como a líder de mercado Águas do Brasil e a Nova Opersan, controlada pelo fundo P2 Brasil, do Pátria Investimentos, já relataram que têm sido procuradas por empresas interessadas em aprimorar seus sistemas de reúso de água. A água é um insumo relevante para a indústria e muitos empresários temem que ela fique mais cara diante da escassez. Nesse sentido, sistemas que geram economia de água podem ajudar a conter custos.

As empresas também se estruturam para disputar possíveis parcerias público privadas na área de saneamento este ano. O setor espera que a repercussão sobre a crise hídrica incentive mais prefeituras a fazer parcerias para aprimorar seus sistemas de abastecimento de água ou até mesmo concessões para a gestão integral do serviço por empresas privadas.

Em 2013, o segmento privado ultrapassou, pela primeira vez, o montante de R$ 1 bilhão de investimentos na área de saneamento, de acordo com dados da Abcon. No ano passado, as empresas privadas detinham a concessão em 300 municípios. Entre 2013 e 2017, o setor deve somar um total de R$ 6,5 bilhões em investimentos.

Atualmente, as cidades de Jaú, Holambra (SP), Penha (SC), Pará de Minas (MG) e Marabá (PA) estão entre os municípios que possuem concessões na área de saneamento em aberto, em diferentes estágios do processo. Além disso, Mauá e Santo André (SP) preparam PPPs na área. / COLABOROU MARINA GAZZONI

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