Dona da TIM tenta barrar Telefônica e propõe fusão com a brasileira GVT

O presidente da Telecom Itália teria se reunido com o presidente do conselho da Vivendi, que controla a GVT, para explicar proposta

O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2014 | 02h05

Nove dias depois da oferta bilionária que a espanhola Telefônica fez pela operadora brasileira GVT, a dona da TIM, que já vinha sondando esse negócio, decidiu atacar de fato. Fontes próximas às companhias afirmam que o presidente da Telecom Itália, Marco Patuano, propôs à francesa Vivendi, dona da GVT, a fusão das duas empresas no Brasil. O executivo italiano teria se reunido ontem, em Paris, com o presidente do conselho da Vivendi, Vincent Bolloré, para explicar a proposta.

A oferta da Telecom Itália foi costurada por consultores do Mediobanca, do Bradesco e do Citigroup. Segundo o jornal italiano Il Sole 24 Ore, Patuano também ofereceu aos franceses uma fatia na Telecom Itália e ajuda na distribuição do conteúdo de mídia da Vivendi no Brasil e em território italiano.

Até o momento, não foram divulgadas informações mais detalhadas. A Vivendi deve discutir a proposta na próxima reunião do conselho, marcada para o dia 28 de agosto, quando também vai avaliar a oferta da Telefônica. As empresas não comentaram as informações.

Na semana passada, Patuano chegou a afirmar publicamente, ao comentar a oferta da Telefônica pela GVT, que não entraria em um leilão pela operadora brasileira, fazendo uma "oferta louca" pela concorrente. "Vocês me conhecem muito bem. Eu nunca, nunca na minha vida entrei em leilões loucos e não estou disposto a fazer ofertas loucas", afirmou o executivo.

No entanto, fontes disseram à Reuters, na semana passada, que a companhia italiana já estava em conversas com a Vivendi para comprar a GVT e superar a oferta de R$ 20 bilhões (ou 6,7 bilhões) da rival espanhola, que é dona da Vivo no Brasil e, ao mesmo tempo, é a maior acionista da Telecom Itália. A oferta da Telefônica inclui a transferência de 8,3% da própria Telecom Itália para a Vivendi. Os franceses precisam dar uma resposta até o dia 3 de setembro.

Essa oferta colocou de novo, na mesa de negociação, a Vivendi, a espanhola Telefônica e a própria GVT, fundada em 2000 pelo ex-oficial militar de Israel Amos Genish. Em 2009, a Telefônica tentou comprar a GVT, mas acabou perdendo a disputa para os franceses, que ofereceram R$ 7,2 bilhões pela operadora.

A oferta também é encarada no mercado como uma resposta da Telefônica ao crescimento da América Móvil, dona da Claro, da Net e da Embratel. No segundo trimestre deste ano, o grupo registrou receita líquida de R$ 8,8 bilhões, ultrapassando os R$ 8,6 bilhões da Telefônica Vivo.

Concorrência. Além de reforçar a liderança no Brasil, a companhia espanhola tenta resolver um imbróglio envolvendo sua participação na Telecom Itália. Se comprar a GVT, a dona da Vivo dará a oportunidade à Vivendi de adquirir a fatia que o grupo espanhol mantém na operadora italiana que controla a TIM Brasil. Com isso, a Telefônica amenizaria as preocupações de autoridades de defesa da concorrência no Brasil, já que o grupo espanhol é dono da Vivo e maior acionista individual da empresa que controla a TIM Brasil.

Para analistas do setor de telecomunicação, a operação da GVT - que inclui telefonia fixa, banda larga e TV por assinatura - seria complementar à da TIM, que está entre as líderes em telefonia móvel no País. A empresa paranaense não tem atuação em telefonia móvel, enquanto as duas interessadas lideram o segmento no Brasil: no segundo trimestre, a participação da líder Vivo chegou a 28,78% e a da TIM, a 26,91%.

Como o interesse da Telefônica é grande, até porque o grupo foi derrotado na primeira tentativa de comprar a GVT, em 2009, pessoas ligadas à empresa disseram que a ideia é tentar "inflar" um pouco o valor, apesar de a proposta já ser considerada alta por analistas do setor.

Com presença em 153 cidades do País, a GVT faturou, no ano passado, R$ 4,8 bilhões. O lucro operacional foi de R$ 2 bilhões, com margem Ebtida de 41%. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS.

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