Dona do ‘FT’ compra parte da SEB e triplica de tamanho no Brasil

Negócio, que chega a quase R$ 900 milhões, inclui os sistemas de ensino COC, Pueri Domus, Dom Bosco e Name, além de uma gráfica e o site Klick Net

Naiana Oscar, de O Estado de S. Paulo,

22 de julho de 2010 | 20h43

A Pearson, empresa do segmento editorial e de informação digital que controla o jornal Financial Times, comprou parte do Sistema Educacional Brasileiro (SEB) - grupo com origem em Ribeirão Preto (SP) que controla escolas e oferece sistemas de ensino. O negócio chega a quase R$ 900 milhões. Com isso, a Pearson triplica sua operação no Brasil e passa a ter o País como seu maior mercado na América Latina, à frente do México.

 

O acordo entre as duas empresas prevê que o grupo britânico passe a ter o controle do sistema de ensino das quatro marcas que pertenciam ao SEB: COC, Pueri Domus, Dom Bosco e Name (esse último voltado apenas para escolas públicas). Na prática, o sistema de ensino compreende a elaboração de material didático e serviços de assessoria para as escolas contratantes. É um modelo exclusivamente brasileiro e que vem atraindo o interesse de grandes editoras.

 

"O mercado editorial escolar brasileiro movimenta mais de US$ 2 bilhões por ano. É um mercado muito positivo e dinâmico, por isso o interesse em fazer parte dele", diz Juan Romero, presidente da Pearson para a América Latina. O executivo está de mudança para o Brasil para acompanhar de perto os novos negócios da empresa. A meta, segundo ele, é aumentar o número de alunos no sistema de ensino dos atuais 400 mil para 1 milhão num prazo de cinco anos.

 

A compra inclui também a gráfica do SEB e as operações de logística e distribuição, além do site Klick Net. Até então, a atuação da Pearson no Brasil se restringia à venda de livros universitários e material para ensino de inglês. Presente em 54 países, a empresa britânica teve um faturamento global de £ 5,6 bilhões em 2009. O desempenho do País nos negócios não foi divulgado.

 

O fundador e CEO da companhia brasileira, Chaim Zaher, continua com o controle das escolas, cursos pré-vestibulares e faculdades adquiridas nos últimos anos pelo SEB e com as operações do ensino à distância. Reunido com seus diretores nesta quinta-feira, 22, logo após ter concluído o negócio, Zaher estava exultante: "Tudo foi discutido e fechado em poucos dias", disse ele ao Estado. "Vendemos o sistema de ensino, as editoras, e permanecemos com 100% da nossa vocação original, as escolas."

 

As primeiras negociações entre Pearson e SEB começaram em 2007, quando a empresa brasileira abriu capital. Desde então, os donos do Financial Times fizeram uma série de investidas frustradas: nenhuma das partes aceitava ser minoritária. O aquecimento do segmento de sistemas de ensino acelerou o processo. Há duas semanas, o Grupo Abril anunciou a compra do Anglo, passando a ser o segundo maior player do mercado, atrás do Positivo. A própria Pearson estava nessa briga, mas perdeu para a proposta da família Civita.

 

Para Ryon Braga, da consultoria Hoper, especializada em mercado educacional, a corrida de grandes editoras para entrar no segmento de sistema de ensino está ligada, em grande parte, à possibilidade de elas abocanharem nos próximos anos um mercado gigantesco no ensino básico do setor público. Atualmente, estima-se que cerca de 4% das prefeituras deixaram de usar o livro didático para adotar algum sistema de ensino.

 

Ações

 

O processo de aquisição da SEB pela Pearson deve levar em torno de 60 dias para ser concluído. A operação é complexa e exige a cisão dos negócios da empresa brasileira. A Pearson ofereceu R$ 22 por ação da SEB S/A, de capital aberto. Pagou R$ 613 milhões pela participação de 71% da família controladora e pagará outros R$ 275 milhões para os sócios minoritários, que detêm 29% das ações. A Oferta Pública de Aquisição será realizada nos próximos dois meses. Com isso, o capital da SEB será fechado.

 

A parte dos negócios que permanece sob o controle de Chaim Zaher integra a empresa SEB PAR, de capital fechado. Como ela é resultante de uma companhia de capital aberto, deve oferecer aos acionistas a possibilidade de manter as ações em circulação. Os minoritários terão a chance de permanecer como acionistas ou vender os papéis por R$ 9. Isso só será possível se mais de 95% dos acionistas quiserem continuar com o investimento. Caso contrário, a empresa também fechará o capital. Nesta quinta, os papeis do SEB na Bolsa registraram alta de 46,19%.

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