finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Dona do Skype quer investir no Brasil

Silver Lake Partners busca oportunidades na área de tecnologia no País

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 00h00

O americano David Roux, presidente do conselho da Silver Lake Partners, esteve pela primeira vez no Brasil em 1976. "Visito o País há 35 anos", disse o executivo, que participou ontem de um evento em São Paulo. "Estive em vários lugares, desde a Foz do Iguaçu, na Região Sul, até Boa Vista, no extremo Norte, perto da Venezuela, e a Amazônia. Conheço o carnaval de Salvador. Estive nas principais cidades, em várias ocasiões."

Nas primeiras viagens, Roux era executivo de empresas de tecnologia. Agora, ele visita o País como investidor. Uma das maiores empresas de investimentos em tecnologia do mundo, a Silver Lake administra US$ 15 bilhões, tendo em sua carteira grupos como o Skype, maior serviço de telefonia via internet do mundo; a Intelsat, maior empresa de satélites do mundo; a Avago, ex-divisão de semicondutores da HP; e a Sabre, maior empresa de sistemas para reservas de passagens aéreas do mundo.

Em setembro, a Silver Lake fez seu primeiro investimento na América Latina, comprando uma participação minoritária na Locaweb, maior empresa de hospedagem web do Brasil, por US$ 68 milhões. "Acredito que o Brasil é um dos mercados de tecnologia mais importantes do mundo", disse Roux. "A economia brasileira está crescendo agora entre 5% e 7%. Vamos dizer 6%. Mas o setor de tecnologia cresce 12%. Duas vezes mais. Um jóquei sempre quer montar o cavalo mais rápido. Isso não quer dizer que ganhará todas as corridas, mas é uma grande vantagem."

Essa visão sobre o Brasil ainda não é disseminada entre os investidores globais do mercado de tecnologia. Segundo Roux, há um certo preconceito. "As pessoas pensam que a tecnologia vem da China ou do Vale do Silício", disse. "Mas, quando visitam o Brasil, conversam com os executivos, veem os centros de dados, entendem a qualidade dos serviços e analisam as estatísticas econômicas, acabam percebendo que há um setor de tecnologia de alta qualidade aqui."

Global. Roux afirmou que as áreas de interesse da empresa no País são as mesmas do mercado mundial, como software, processamento de pagamentos e de transações, hardware e semicondutores, redes e telecomunicações. "A tecnologia é um negócio muito global", explicou. ''Nosso primeiro pensamento não é sobre geografia, mas sobre ótimas empresas de tecnologia. A empresa pode ter sede aqui, mas compete com as melhores de todo o mundo. Uma boa empresa brasileira tem potencial de ser uma campeã mundial."

Antes de fundar a Silver Lake, em 1999, Roux foi executivo de empresas de tecnologia. Ele criou e presidiu a Datext, que vendia informações financeiras em CD-ROMs. Também foi vice-presidente da Lotus e da Oracle.

"Por 20 anos fui um cara da operação. Estive à frente de equipes de venda e de engenharia", disse o executivo. "Alguns investidores assinam o cheque e depois voltam somente para cobrar resultados. Nós temos conhecimento de mercado, e a assinatura do cheque é só o começo." Ele afirmou que a Silver Lake pode ajudar as empresas da sua carteira, entre outras coisas, com o acesso ao que existe de mais avançado na tecnologia ao redor do mundo, a parceiros de negócios e a clientes globais, e com a sua expertise em fusões e aquisições.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.