Tiao Oliveira / Estadão
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Dona da Fiat espera que 20% de suas vendas sejam de carros eletrificados até 2030

Grupo começa a discutir com fornecedores a nacionalização de tecnologias e peças para a produção de modelos híbridos e elétricos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2022 | 21h06

O grupo Stellantis, dono das marcas Fiat, Jeep, Citroën e Peugeot, espera que 20% de suas vendas na América do Sul e Brasil sejam de modelos eletrificados até 2030. O grupo já tem previsto sete lançamentos de carros híbridos e elétricos até 2025, um 

deles um híbrido flex a etanol desenvolvido no País.

Para chegar a essa participação, a companhia pretende ampliar a nacionalização de componentes e tecnologias de eletrificação em parceria com seus fornecedores. “Isso significa desenvolver e atrair investimentos, qualificar empregos e instituições de educação relacionadas a isso”, afirmou Antonio Filosa, presidente da Stellantis na região.

O presidente global do grupo, Carlos Tavares, que acompanhou ontem o início da produção do novo C3 na fábrica da Peugeot/Citroën em Porto Real (RJ), disse que a operação local é rentável e por isso não vê “dificuldades em aprovar novos projetos da região”.

O grupo já tem em andamento um plano de investimento de R$ 16 bilhões na região até 2024.

O novo C3 será o primeiro de uma família de três veículos projetada para os consumidores brasileiros e demais países da região. Foi desenvolvido por equipe de engenheiros do Brasil, Argentina, França, entre outros países.

Carros mais caros

Tavares admitiu que os carros estão ficando mais caros no Brasil e no mundo, boa parte em razão das novas tecnologias que estão sendo agregadas, principalmente as da eletrificação, das novas regulamentações de segurança e eficiência energética e, especificamente neste momento, o desequilíbrio entre oferta e demanda criada pela crise dos semicondutores.

Apesar de afirmar que a Stellantis se preocupa em oferecer preços que garantam a acessibilidade da classe média aos novos veículos, o executivo ressaltou que o grupo garantir um preço de competitividade comparável ao dos concorrentes.

“Não há razão para que a gente limite a nossa capacidade de lucro porque precisamos disso para investir nas tecnologias futuras, que serão fundamentais para a sustentabilidade da empresa daqui a cinco ou 10 anos”, disse Tavares.

Segundo ele, a alta de preços é mais forte nos modelos eletrificados. No Brasil, a particularidade de disponibilidade do etanol, que tem performance muito boa na redução de emissões de CO2, vai permitir, pelo menos por alguns anos, evitar os custos mais importantes dos veículos elétricos. Na Europa, o grupo pretende ter toda sua linha de produtos elétricos até 2030, e nos Estados Unidos, 50%.

Escassez de semicondutores

O presidente mundial da Stellantis confirmou que ao longo deste ano o setor automotivo global ainda terá muita dificuldade com o abastecimento de semicondutores, que pode ser aprofundada pela guerra no leste europeu que está interrompendo o tráfego aéreo e prejudicando o transporte de vários produtos.

O grupo esperava produzir 8 milhões de carros globalmente no ano passado, mas, em razão da crise dos chips, conseguiu fazer 6 milhões.  

“Uma normalidade de fornecimento só deve ocorrer a partir de 2023”, previu. Para ele, já é óbvio que a capacidade industrial dos fabricantes de chips da Ásia não são suficientes para garantir um fornecimento regular para a indústria de veículos, especialmente quando as vendas de modelos eletrificados aumentarem, pois esses automóveis vão ter mais semicondutores que os convencionais.

Segundo ele, o Ocidente já entendeu isso e estão sendo preparados investimentos “brutais” nos EUA e na Europa para ampliar a produção dos itens eletrônicos, mas essa nova capacidade só chegará ao longo de três anos.

Conflito entre Rússia e Ucrânia

Tavares se disse preocupado com a guerra entre Rússia e Ucrânia, que pode se transformar em uma guerra global. Para ele, mais fragmentação do mundo vai criar mais tensões geopolíticas e, quanto mais tensões, mais difícil será resolver problemas de todo o planeta, como o aquecimento global e a escassez de matéria-prima.

“A guerra é um desastre, é dramática; temos posição firme contra todas as violências e agressões”, disse o executivo. Ele ressaltou que, “felizmente”,  até agora o grupo, que tem fábrica na Ucrânia, não foi muito atingido do ponto de vista econômico, “mas fomos atingidos em nossos corações pelos dramas que estamos vivenciando”.

Ele contou que a empresa tem apoiado esforços para negociações de paz e tem dado apoio aos refugiados. “Nosso foco no momento é a proteção dos nossos empregados; estamos dando apoio financeiro e ajudamos vários deles a saírem da Ucrânia e irem para a Polônia.”

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