Dono de seu próprio nariz

Entre 1994 e 1999, nada menos do que 1,5 mil empresas brasileiras dos mais diferentes setores trocaram de dono. Desse total, 850 foram adquiridas por grupos estrangeiros. Neste último grupo, figuravam a Refripar, o segundo maior conglomerado da linha branca do País, e a Sanyo, fabricante de eletrodomésticos. Controladas pelo empresário paranaense Sérgio Prosdócimo, empregavam 7 mil funcionários e faturavam algo ao redor de US$ 1 bilhão por ano - a Refripar foi comprada pela sueca Electrolux e a Sanyo pelo grupo japonês de mesmo nome. Em troca do controle, Prosdócimo teria apurado uma fortuna superior a US$ 100 milhões da época. "Vendi porque não tinha mais fôlego para assegurar os investimentos necessários diante da chegada dos concorrentes de fora", recorda.

Clayton Netz, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

Montado nessa dinheirama, Prosdócimo, então com menos de 60 anos de idade, bem que poderia decidir-se por uma opulenta aposentadoria e se dedicar a cuidar de sua coleção de trenzinhos elétricos. "Mas a gente tem uma coisa no sangue que não nos deixa ficar parado", diz Prosdócimo. Primeiro, ele investiu numa fábrica de embalagens, a Brasholanda, vendida a uma empresa finlandesa. Também entrou como sócio na DTcom, provedora de serviços de internet e de infraestrutura para educação corporativa. Não satisfeito, resolveu comprar a Charlotte, uma fábrica de pães falida. "Eu estava procurando sarna para me coçar", brinca.

Uma das primeiras providências foi reformar a fábrica, que ocupa uma área de 3 mil metros quadrados em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. Outra foi trocar todos os equipamentos. "Sempre fui obcecado por qualidade", diz Prosdócimo. A aposta deu certo. Ao desembarcar ali, a empresa tinha apenas 30 empregados e uma receita de R$ 70 mil por mês. Hoje, são 200 funcionários e um faturamento de R$ 1,2 milhão mensais. Além de abastecer com seus pães de forma a região metropolitana da capital do Paraná, a Charlotte terceiriza a produção de torradas para redes de supermercados como Walmart e Carrefour e para outra fabricante, a Wickbold. "É uma prova de que conseguimos produzir com qualidade", afirma Prosdócimo.

Aos 68 anos de idade, quatro pontes de safena, três filhos e cinco netos, Prosdócimo orgulha-se de ter se mantido em atividade e evitado entrar no time dos "sem indústria", como aconteceu com muitos de seus colegas. No entanto, do período áureo em que figurava no rol dos empresários brasileiros mais influentes, Prosdócimo diz não ter muita saudade. Tampouco sente falta dos refletores. "Comecei a me preparar para o ostracismo uns três anos antes de vender os negócios", diz. "Estou feliz por ser uma pessoa comum, dono do meu próprio nariz."

CONSUMO

Redecard registra alta de 25% nas compras a crédito

A expansão do uso do cartão de crédito em segmentos que utilizavam pouco o plástico, como os das áreas de saúde, educação, distribuição e seguros, elevou em 25% o volume financeiro transacionado pela Redecard no primeiro trimestre do ano sobre igual período de 2009. "O número de estabelecimentos dessas áreas que aceitam cartões cresceu entre 50% e 77% ", diz Roberto Medeiros, presidente da Redecard. Segundo ele, o resultado reflete ainda o aumento das compras a prazo nos setores de alimento, vestuário e moradia.

A região Centro-Oeste se destacou com o maior contingente de estabelecimentos credenciados pela Redecard, que obteve uma receita operacional líquida de R$ 805,9 milhões e lucro de R$ 352 milhões no período.

EDUCAÇÃO

Estácio banca material didático dos alunos

O grupo de ensino Estácio, do Rio de Janeiro, que conta com participação acionária do GP Investments, lançou este ano um projeto que prevê a distribuição gratuita de material didático para os mais de 200 mil alunos matriculados em suas 76 unidades espalhadas pelo Brasil e pela América Latina. Neste ano, numa primeira etapa, a instituição investiu R$ 12 milhões para contemplar 78 mil alunos. Esse valor será repetido nos próximos três anos para atender a todos os alunos dos cursos técnicos e de graduação. Segundo Rogério Melzi, diretor executivo de operações da Estácio, o projeto reduz os custos dos alunos e coíbe a pirataria, que representa 5% do material didático produzido no País. "O projeto vai evitar 120 milhões de cópias ilegais somente este ano", diz Melzi. Em 2009, a Estácio contabilizou uma receita operacional de R$ 1,4 bilhão.

TRANSPORTES

Digital brasileira no trem-bala ibérico

O consórcio Elos (Ligações de Alta Velocidade), liderado pela empreiteira brasileira Odebrecht, acabou de assinar um contrato de R$ 3,78 bilhões de concessão da PP1, que dá direito à operação de dois trechos da linha do trem-bala que ligará Lisboa a Madrid. O contrato contempla o financiamento do projeto até sua execução, cujo final está previsto para 2013. O consórcio, que vai administrar a concessão por 40 anos, conta com a participação dos grupos portugueses Brisa, Soares da Costa, Lena, Edifer e Zagope, Caixa Geral de Depósitos e Banco Millenium e da Iridium, do espanhol ACS.

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