Dono do 'El País' anuncia reestruturação financeira

Maior grupo de mídia da Espanha, Prisa vai vender 500 milhões de euros em ativos e emitir o mesmo montante em dívida

Efe, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2011 | 00h00

O Grupo Prisa, líder do mercado espanhol de comunicação, anunciou ontem que venderá mais de 500 milhões em ativos não estratégicos e emitirá um montante equivalente em instrumentos de dívida não bancária, para reestruturar a longo prazo suas obrigações com os bancos.

O diretor presidente do grupo, Juan Luis Cebrián, fez ontem o anúncio na reunião da assembleia geral de acionistas, que aprovou a nomeação de Fernando Abril Martorell para o cargo de vice-diretor. O Grupo Prisa publica o jornal El País.

Cebrián apontou como prioridade do grupo "reestabelecer o equilíbrio e reduzir a dívida da companhia", reconhecendo que o endividamento "é elevado".

Com o objetivo de capitalizar a empresa, o presidente da Prisa, Ignacio Polanco, anunciou durante sua intervenção que acontecerá "o quanto antes" o exercício dos "warrants" (opções de compra de valores), 70% dos quais se encontram nas mão de sua família.

Essa decisão, segundo Cebrián, "honra os fundadores e herdeiros da empresa" e antecipa "favoravelmente" a negociação com os bancos. O diretor afirmou que tanto o desinvestimento de capital quanto o exercício antecipado dos "warrants" fazem parte de um plano que será comunicado aos credores e cujo andamento está "muito avançado".

Apesar disso, Cebrián afirmou que a venda de ativos será feita sem reduzir demais os preços. "Não vamos nos desfazer das companhias que mais geram caixa e daquelas que asseguram o crescimento estratégico", disse Cebrián.

Todas as ações anunciadas, segundo ele, serão levadas adiante "com rapidez, mas sem precipitação", o que permitirá à empresa contar "com as forças e os recursos necessários para enfrentar o futuro" em um prazo "relativamente curto".

Protesto. Durante as perguntas dos acionistas, o presidente do sindicato do diário El País, José Manuel Gozález, criticou o acordo coletivo pelo qual, segundo indicou, "os jornalistas são condenados a ser "mileuristas" (com um salário máximo de mil euros)" e direitos dos trabalhadores são reduzidos.

Diante dessa situação, os redatores do jornal decidiram que não vão assinar os textos até quinta-feira, em protesto, e também não assinarão o suplemento especial que comemora os 35 anos da publicação.

Cebrián disse que a assembleia de acionistas não era o lugar adequado para debater essa reivindicações e afirmou que "não existe intenção" de transformar em "mileuristas" os trabalhadores do El País, já que seu salário médio é superior a 46 mil anuais.

O diretor presidente da Prisa insistiu na vontade da direção da empresa de garantir o emprego de 12 mil pessoas. Apesar disso, manteve o projeto de reestruturação da equipe, que prevê a redução de 2,5 mil postos de trabalho.

América Latina. Cebrián disse que o mercado latino-americano tem uma "importância crescente" para o futuro da companhia, com uma aumento de 14,7% do faturamento da região. O executivo disse que 28% da receita do grupo, dono das editoras Santillana e Alfaguara, vem de fora da Espanha "e mais da metade dessa valor da área lusa" (Brasil e Portugal).

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