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Dono do grupo pede para ser credor na recuperação judicial

Milton Schahin quer que ações que emprestou ao grupo sejam devolvidas ao final do processo de reestruturação

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2016 | 17h00

Um dos donos do grupo Schahin, Milton Schahin, de 77 anos, está tentando se habilitar como credor na recuperação judicial do grupo. Milton pede que sejam devolvidas ações, negociadas em bolsa, que emprestou para empresas do grupo e o prêmio anual que deveria ter sido pago ao executivo em função dos empréstimos. As ações são de companhias como Petrobrás, Eletrobrás, Bradesco e Vale, negociadas em bolsa de valores e que juntas representam hoje cerca de R$ 10 milhões.

O administrador judicial do processo de recuperação que corre na Justiça, a KPMG, não reconheceu ainda o crédito, pois entendeu que os documentos apresentados por Milton não provavam que as ações lhe pertenciam. Um dos pontos alegados é que não havia nenhum registro da corretora de valores sobre as transferências realizadas. Na tentativa de produzir essa prova, o executivo entrou com um processo judicial contra o Banco Schahin, hoje BMG, que assumiu também a corretora de valores. Exigia que a corretora apresentasse os documentos que provam que as ações haviam sido transferidas.

O caso se desenrola na Justiça paulista e o BMG alega no processo que vasculhou o banco de dados da corretora e que não tem como entregar a documentação porque ela não existe. O banco mineiro tenta também alegar em juízo que Milton Schahin informa números diferentes da quantidade de ações que possui nos dois processos em curso: o de recuperação judicial e o que promove contra o banco.

O executivo informou em nota que está tentando apenas garantir o recebimento no futuro dentro do processo de recuperação judicial. “Pela lei, acionistas são dos últimos a receber seus créditos”, disse, na nota.

O plano de pagamentos da recuperação judicial do Schahin foi aprovado pela maioria dos credores em fevereiro. Ainda cabe recurso aos tribunais, já que alguns credores não concordam com os termos do plano. A ideia é que os pagamentos sejam feitos até o ano de 2030. A recuperação do Schahin está diretamente ligada ao contrato do navio Vitoria 10000, o único vigente hoje. Esse navio é justamente o pivô das denúncias de corrupção que envolvem a Schahin dentro do processo da Lava Jato. Milton foi denunciado pelo Ministério Público Federal juntamente com seu irmão e sócio nos negócios, Salim, e seu filho, Fernando. / J.G.

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