Renda extra

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Donos da Cerradinho vão receber R$ 600 milhões por usinas em SP

Acordo com o asiático Noble Group para a venda das usinas Catanduva e Potirendaba incluiu também cerca de R$ 1 bi em dívidas

Eduardo Magossi, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

A venda de duas usinas do Grupo Cerradinho para a trading asiática Noble, por cerca de R$ 1,6 bilhão (US$ 950 milhões), selada no último dia 14, vai render à família Fernandes, proprietária da Cerradinho, cerca de R$ 600 milhões. "O R$ 1 bilhão restante refere-se às dívidas destas unidades que serão assumidas pela Noble com a compra das duas usinas", informa João Nogueira, membro do Conselho de Administração da Cerradinho.

Da dívida total do Grupo Cerradinho, de R$ 1,3 bilhão, os R$ 300 milhões restantes são relativos a outros ativos não envolvidos na negociação com a Noble.

Os ativos comprados pela Noble são as duas usinas paulistas da Cerradinho - a Usina Catanduva e a Usina Potirendaba -, além da cana-de-açúcar plantada na área da usina. As terras onde a cana está plantada não entraram na negociação. As duas usinas possuem capacidade de moagem de 8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A Cerradinho fica com a Usina Porto das Águas, localizada em Chapadão do Céu, em Goiás, e com a Cerradinho Floresta, responsável pela administração das terras e de outras atividades ligadas ao agronegócio.

A Noble pagou cerca de US$ 120 por tonelada de cana pelas duas usinas, um dos preços mais elevados desembolsados recentemente por ativos do setor sucroalcooleiro. As duas usinas produzem em conjunto 600 mil toneladas de açúcar e 300 milhões de litros de etanol por ano, além mais de 300 mil megawatt/hora de bioeletricidade com a queima do bagaço de cana. Segundo Nogueira, o maior preço deve-se à melhora das perspectivas de risco no médio prazo para o açúcar, que está com cotações elevadas, e também em função das sinergias esperadas pela Noble, que possui outras duas usinas a cerca de 75 quilômetros de distância das duas unidades adquiridas da Cerradinho, criando um cluster de produção.

Segundo o executivo, a dívida total do grupo já estava reestruturada com o Banco Santander para ser paga em até sete anos, com dois de carência. Agora, a Noble vai adaptar o fluxo da dívida ao seu próprio cronograma e ajustes podem ser feitos.

Busca por parceiro. Nogueira afirma que a ideia original era de encontrar um parceiro que ficasse com até 30% do grupo todo ou 50% da Usina Porto das Águas, em Goiás. "A BP propôs uma estratégia de adquirir 50% do grupo, que levou a Cerradinho a mudar de ideia e pensar em novas formas de negociação", conta,

A negociação com a BP, no entanto, se encerrou em dezembro, com a negativa da família Fernandes. Segundo fontes do mercado, a BP teria alterado sua proposta final de compra depois de quatro meses de análises.

A negociação com a Noble aconteceu de 11 a 14 de dezembro. Como não houve tempo para a realização de uma due diligence (análise dos ativos) realizada pela Noble na Cerradinho, este processo será realizado a partir de agora, através de um "due diligence confirmatório". Após este período, que deve se encerrar em fevereiro próximo, o contrato final deve ser fechado. Nogueira, porém, afirma que a venda já está efetivada.

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