Doria quer evitar greve com Uber e táxi

Doria quer evitar greve com Uber e táxi

Servidores municipais terão transporte gratuito na sexta-feira para não faltar ao trabalho; prefeitura estava negociando doações com as empresas

Bruno Ribeiro e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 21h54

A gestão Doria anunciou nesta quarta-feira, 26, que vai oferecer transporte gratuito para que todos os funcionários públicos municipais compareçam ao trabalho na sexta-feira, dia de mobilização nacional contras as reformas trabalhista e da Previdência. No dia anterior, o prefeito João Doria já havia anunciado que vai cortar o ponto de quem não cumprir o expediente por causa da greve.

Em e-mail, a Prefeitura orientou as secretarias e os órgãos da administração direta e indireta municipais a organizarem caronas entre servidores que possuem automóvel próprio e, também, a criarem escalas de transporte compartilhado com veículos da gestão municipal. Para tanto, os funcionários devem preencher um formulário virtual, no qual precisam informar dados pessoais, como endereços profissional e residencial.

Além das escalas, eles terão acesso a senhas para o uso gratuito de aplicativos de transporte entre 7h e 9h e entre 17h 30 e 19h 30, destinados preferencialmente para quem mora em bairros mais distantes da região central.

De acordo com a Prefeitura, as parcerias com as empresas ainda estavam em negociação até as 21h de quarta-feira, mas já está definido que elas serão doações, para não causar ônus ao município. São Paulo tem cerca de 129 mil funcionários públicos municipais.

“Sexta-feira, dia 28, é dia de trabalho, só quem não quer trabalhar é que vai fazer greve, porque mesmo quem deseja manifestar-se faz isso em horário fora de expediente, faz isso no sábado, faz isso no domingo, de noite, na hora do almoço, não faz durante o trabalho. Não é justa nem a greve, nem a manifestação, mas, ainda que fosse, deveria ocorrer sem prejuízo à população”, afirmou Doria em sua página no Facebook.

Em vídeo, o prefeito afirmou ainda que todos os servidores públicos receberão até quinta-feira uma mensagem informando sobre qual aplicativo de transporte deverão utilizar. “Nós somos servidores públicos, atendemos a população, principalmente a população mais pobre e mais humilde da nossa cidade, que não pode ficar sem saúde, que não pode ficar sem educação, que não pode ficar sem transporte público, sem segurança”, completou ele, que ainda disse: “o Brasil não é do mundo sindical, o Brasil é dos brasileiros”.

Em nota, a Uber informou que disponibilizará dois cupons com desconto de R$ 20 para todos os usuários que utilizarem a modalidade compartilhada (Uberpool) na sexta-feira, entre as 7h e às 11h e das 16h às 20h – independentemente de serem funcionários públicos. Nos casos em que a corrida ultrapassar esse valor, o custo deverá ser pago pelo usuário.

“Como todos sabem, os motoristas parceiros da Uber são autônomos e todos os dias têm o poder de escolher se desejam ou não dirigir pela plataforma. Dado o altíssimo trânsito esperado em São Paulo nesta sexta-feira, 28, a forma como a Uber pode ajudar a cidade é incentivando quem for se movimentar a compartilhar um carro”, afirmou a empresa.

O aplicativo de táxis 99 informou que vai dar duas corridas de R$ 15 reais para todos os seus usuários no Brasil – o que exceder esse valor deve ser pago pelo passageiro. O desconto será válido durante toda a sexta-feira.

Críticas. Ao Estado, o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo, Sergio Ricardo Antiqueira, afirmou que a decisão é uma tentativa “desesperada” de desmobilizar a paralisação. “Não me surpreende essa estratégia, mas a sensação que tenho é que atitudes como essa motivam mais os servidores (a participar da greve”, afirma. Ele defende que a decisão da Prefeitura é um sinal da falta de diálogo com o funcionalismo público, que também reivindica reajuste salarial conforme a inflação e aumento real de 10%.

“O prefeito fala em manter a educação, a saúde, a segurança, mas esses serviços são justamente os mais afetados por essas reformas que ele defende”, argumenta. Antiqueira critica ainda o fato de que a proposta de utilizar aplicativos de transporte não leva em consideração fato de que alguns servidores não sabem utilizar esse tipo de tecnologia ou tampouco detêm smartphones. “Vai ser um caos. São milhares de servidores.”

Participe. O 'Estadão' vai acompanhar nas ruas a greve geral marcada para essa sexta-feira, 28. Foi afetado pela paralisação? Fotografou ou filmou um fato e quer compartilhar? Envie por WhatsApp pelo número (11) 9-7069-8639 ou baixe aplicativo 'Você no Estadão' para participar da cobertura jornalística. Com ele, você envia vídeos e fotos. Sua colaboração pode ir parar nas páginas do jornal, no portal e nos aplicativos de notícias. O app está disponível para IOS e Android.

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