Dos carros importados, 10% chegam da China

Há um ano, a participação dos veículos chineses, vendidos a preços entre R$ 21,4 mil e R$ 58 mil, estava abaixo de 1%

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Os carros chineses já respondem por mais de 10% das importações feitas por empresas independentes (sem fábricas no País), participação que há um ano estava bem abaixo de 1%. Nos sete primeiros meses do ano, foram vendidos no mercado brasileiro 5,8 mil automóveis que atravessaram o mar durante 45 dias até chegar em terras brasileiras.

O número ainda é insignificante diante de um mercado de 1,88 milhão de veículos, mas ganha relevância pela velocidade com que cresce: quase 400% na comparação com o mesmo período do ano passado. De janeiro a julho de 2009 foram vendidos no Brasil apenas 1,16 mil carros chineses. Em todo o ano, foram 2,43 mil, segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva).

Atualmente, cinco marcas atuam como importadoras no País - Chana, Chery, Effa, Haffei e Jinbei -, com produtos cujos preços variam de R$ 21,4 mil a R$ 58 mil. O Salão do Automóvel de São Paulo, programado para outubro, marcará a chegada de mais duas: JAC e Lifan.

De olho no mercado brasileiro, um dos poucos que cresce no mundo, além da própria China, as marcas asiáticas começam a fincar raízes no País. A primeira fábrica de carros chineses será inaugurada em 2013 para a produção de um modelo compacto que vai disputar mercado com os campeões de venda Gol, da Volkswagen, e Palio, da Fiat.

"O movimento não é isolado e outras montadoras deverão instalar fábricas no Brasil", prevê o sócio-diretor da Vallua Consultoria e Gestão, Lucas Copelli. Para ele, o produto chinês não deixará de ser competitivo ao ser fabricado localmente. Segundo ele, a importação também é onerosa. O Imposto de Importação é de 35%, além dos demais tributos que incidem em cascata sobre o preço bruto e gastos com frete e nacionalização.

Daqui a três anos, a Chery iniciará a produção de modelos da marca em Jacareí, interior de São Paulo. O projeto, orçado em US$ 700 milhões, deve abrir caminho para outras chinesas espalharem suas filiais pelo País. Já manifestaram interesse a BYD, Lifan, Chana, Hafei e JAC (caminhões pesados).

A Chery prevê a produção de 150 mil a 170 mil automóveis por ano. A operação começará com a importação de kits (CKDs) para montagem e a nacionalização de peças será gradual. Um grupo de fornecedores de componentes da China também negocia a entrada no mercado não só para abastecer a Chery, mas outras montadoras instaladas no País.

Na opinião de Copelli, os veículos chineses tendem a conquistar o consumidor brasileiro aos poucos, a exemplo do que ocorreu com os coreanos. "As montadoras chinesas estão melhorando a qualidade e a tecnologia dos seus produtos", diz.

Hoje, entre as 30 maiores montadoras do mundo, dez são chinesas. Há uma década, apenas três marcas do país da muralha apareciam nesse ranking, segundo a Organização Internacional dos Construtores de Carros (Oica). No mesmo intervalo, a produção na China saltou de 2 milhões de veículos para 13,7 milhões, um impressionante crescimento de 580%.

Nas projeções de Sérgio Habib, presidente da importadora SHC que trará ao País os modelos da JAC, em cinco anos os brasileiros deverão consumir cerca de 200 mil carros chineses, o equivalente a 5% do mercado total previsto para aquele ano, de 4 milhões de unidades.

Liderança

A China tornou-se maior produtor mundial de carros em 2009, deixando para trás Japão e EUA. O país também é líder em vendas, com 10,3 milhões de veículos já vendidos neste ano.

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