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Dow Chemical e Crystalsev farão plástico a partir de cana

Projeto estimado em US$ 1 bilhão será o 1.º pólo alcoolquímico integrado do mundo

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

A Dow Chemical vai criar uma subsidiária com a Crystalsev (trading de álcool e açúcar) para a construção do 1º pólo alcoolquímico integrado do mundo. A matéria-prima básica será a cana. O projeto será instalado na região Centro-Sul, começará a ser construído em 2008 e entrará em operação em 2011.O empreendimento, cujo investimento pode chegar a US$ 1 bilhão, segundo estimativas de mercado, será dimensionado para a produção anual de 350 mil toneladas de polietileno, uma das principais resinas usadas na indústria de transformação de plástico.Hoje, praticamente todo o polietileno produzido no mundo tem como matéria-prima a nafta, um derivado do petróleo. Para alcançar essa produção, o complexo será gigantesco. Como o projeto é integrado, a Dow e a Crystalsev (controlada pela Vale do Rosário e pela Santa Elisa) participarão como sócios em todas as etapas da cadeia, a começar pela formação de um canavial de 120 mil hectares. Rui Ferraz, diretor-presidente da Crystalsev, explicou que o negócio será dividido igualmente entre as empresas, do plantio da cana à produção da resina.Serão necessários 8 milhões de toneladas de cana para a produção de 700 milhões de litros de álcool. ''''Podemos construir novas usinas ou usar a produção das usinas já ligadas à Crystalsev. Essas definições acontecerão nos próximos meses'''', diz Ferraz. A Dow acredita que o conteúdo nacional do projeto ficará acima de 50%. A previsão é que 3,2 mil empregos diretos sejam criados. ''''Estimamos que mais de 50% dos equipamentos serão nacionais. A parte de produção de etanol será 100% nacional'''', diz Diogo Donoso, diretor-comercial de plásticos para a América Latina da Dow.Esse está sendo considerado um dos principais movimentos estratégicos da Dow no mundo. Será o primeiro projeto mundial da companhia para a produção de resinas plásticas baseadas em matéria-prima renovável. O anúncio trouxe ao Brasil o presidente mundial da empresa, Andrew Liveris, para quem o investimento reduz a dependência do petróleo.A Dow vem enfrentando problemas para o acesso à matéria-prima na América Latina. Na Argentina, o problema é a falta de gás natural. No Brasil, o novo desenho da área petroquímica acaba privilegiando empresas nacionais. A associação da Petrobrás com a Braskem e o desejo da estatal de estimular a criação de um segundo grupo petroquímico forte no Sudeste (com Unipar ou Suzano) não abriu brechas para a Dow.Há um mês, a Dow decidiu vender a participação que possuía na Petroquímica União (PQU), em Mauá, além da fábrica de polietileno em Cubatão. Agora, parte para a criação de uma cadeia do plástico a partir do álcool. A Dow acha que o negócio equaciona dois aspectos para uma indústria química: sustentabilidade ambiental e econômica. A empresa concluiu que mesmo com uma queda do preço do petróleo para menos de US$ 40 o barril, o projeto será competitivo.

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