DPDC quer esclarecimentos sobre recall

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), subordinado ao Ministério da Justiça, notificou ontem a Continental do Brasil Produtos Automotivos a prestar mais informações sobre o defeito das pinças de freio que motivou o recall das quatro principais montadoras do País. Os agentes do governo querem saber quando e como a fornecedora constatou o problema, quais medidas tomou e quem mais, além da General Motors, Volkswagen, Ford e Fiat, adquiriu as peças defeituosas fabricadas em janeiro deste ano."Nossa preocupação é com o mercado paralelo", explicou a diretora substituta do DPDC, Patrícia Barros. Conforme ela disse, ainda não é possível prever se a fornecedora será punida e que tipo de penalidade poderá sofrer. A multa máxima prevista pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) é de R$ 3,2 milhões.A Continental tem cinco dias úteis, a partir do recebimento da notificação pelo Correio, para responder as perguntas do DPDC. De acordo com o relato oficial já apresentado pelas montadoras, elas foram avisadas na sexta-feira pela Continental do defeito no freio.Segundo Patrícia, as montadoras seguiram a priori os prazos para comunicar o problema ao ministério, mas alguns Procons já anunciaram a intenção de também responsabilizá-las por não terem detectado o defeito com seus instrumentos de controle de qualidade. "Falei com uma empresa que disse que o próprio fornecedor é que faz o teste de qualidade", disse Patrícia Barros, acrescentando que ainda não teve tempo de discutir o assunto com os Procons e que esses órgãos são independentes.Concessionárias não têm meios para fazer recallMais de 50 mil veículos deverão passar pelo recall - 23.854 da GM, 23.700 da Volkswagen, 6.141 da Ford e um número ainda não contabilizado da Fiat. A General Motors e a Ford anunciaram para hoje o início da revisão, mas algumas concessionárias procuradas pela Agência Estado avisaram que não têm condições nem equipamento para isso. "Ainda não recebemos as peças. Estamos fazendo um agendamento do recall com os clientes que nos ligam", disse o gerente de serviços da revendedora Jorlan, de Brasília, Nilson Cusatis.De acordo com Patrícia Barros, o retardamento do início da revisão pode caracterizar propaganda enganosa. Todas as pessoas que tentarem fazer o recall a partir da data estabelecida pelas montadoras e não forem atendidas poderão apresentar queixa ao Procon.

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