Draghi defende medidas do BCE e convoca governos a agir

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, fez uma vigorosa defesa dos planos de compra de títulos do banco para uma cética audiência alemã nesta terça-feira, e afirmou que agora cabe aos governos complementar essas medidas com suas próprias ações políticas.

NOAH BARKIN E SARAH MARSH, Reuters

25 de setembro de 2012 | 12h11

Falando em uma conferência da Federação das Indústrias Alemãs (BDI) em Berlim, Draghi descreveu o plano do BCE, apresentado neste mês, como uma "ponte" em vez de uma solução para a crise de três de anos que assombra o bloco monetário.

Ele alertou os líderes da zona do euro contra complacência, afirmando que eles precisam aproveitar a melhora do sentimento gerada pelo BCE para avançar com reformas e uma integração mais próxima.

"A atual melhora no sentimento não significa que tudo está resolvido", disse Draghi em seu primeiro discurso político na Alemanha desde que seu plano, chamado de "Transações Monetárias Diretas", provocou uma série de críticas no país.

"A ação do BCE só pode ser uma ponte para o futuro. O projeto tem que ser complementado através de ações decisivas de governos tanto na esfera individual quanto coletiva."

O plano de compra de títulos de Draghi teve a oposição do influente Bundesbank, banco central alemão. O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, sugeriu que as medidas de Draghi representam uma violação do mandato do BCE para garantir a estabilidade de preços.

O presidente do BCE afirmou que tem um "enorme respeito" pelo Bundesbank e deixou claro que ele e seus colegas no Conselho Administrativo do BCE compartilham várias de suas preocupações. As divergências, disse ele, estão em como responder.

"Nas atuais circunstâncias, o maior risco para a estabilidade não é a ação, mas a falta dela. É por isso que o BCE agiu", disse Draghi.

Draghi rejeitou a argumentação de Weidmann de que o programa de compra de títulos corresponde a financiamento de governos, dizendo que a zona do euro passou por uma "fragmentação bastante severa" nos últimos meses, caracterizada por custos de empréstimos divergentes que refletem temores "infundados" de uma ruptura na zona do euro.

"O Conselho Administrativo do BCE portanto enfrenta uma escolha: aceitar essa situação e permitir que a simplicidade de sua política monetária seja minada; ou adotar ações dentro de seu mandato para restaurar a transmissão normal da política monetária em todas as partes da zona do euro. Decidimos a favor da última."

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