Draghi diz que fará tudo para salvar o euro

Presidente do Banco Central Europeu indicou que está pronto para intervir no mercado e provocou fortes altas nas bolsas de valores

LONDRES , O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h06

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, prometeu ontem fazer o que for necessário para proteger a zona do euro de um colapso, incluindo agir para reduzir custos de empréstimos governamentais irracionalmente altos.

"Dentro do nosso mandato, o BCE está pronto para fazer o que for preciso para preservar o euro. E, acredite em mim, será suficiente", afirmou Draghi numa conferência com investidores em Londres. "À medida que o tamanho do prêmio soberano (custos de empréstimo) prejudica o funcionamento dos canais de transmissão da política monetária, eles passam a ser de nossa responsabilidade."

Os comentários de Draghi são os mais corajosos até agora e sugerem que o BCE está pronto para combater a crise da dívida e defender a Itália e a Espanha, cujos custos de empréstimo subiram para níveis insustentáveis. O euro saltou, enquanto os futuros dos títulos alemães, tipicamente favorecidos por investidores avessos ao risco, passaram a cair em consequência dos comentários.

O BCE tem mantido seu programa de compra de títulos inativo, e a oposição interna para reativá-lo é firme, portanto o foco vai se voltar para o que mais o BCE pode fazer. Economistas acreditam que o banco central pode ser forçado a comprar títulos novamente ou, como alternativa, apoiar países da zona do euro em dificuldades.

As declarações do presidente do BCE deram esperanças aos mercados. Horas depois, outra notícia positiva: o Departamento de Trabalho dos EUA divulgou que o número de trabalhadores americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego recuou 35 mil na semana até 21 de julho, para 353 mil.

Os comentários de Draghi surgiram após dias de incerteza em relação à Espanha e à saúde financeira dos bancos espanhóis, lançados contra as cordas após o colapso do mercado imobiliário. Os custos dos empréstimos subiram na Espanha e na Itália, e os investidores temem ser necessário um pacote semelhante aos da Grécia, Portugal e Irlanda.

Ontem as taxas de juro para títulos soberanos da Espanha para o prazo de dez anos caíram quase meio ponto porcentual, para 6,89%. Nesta semana, a alta já havia alcançado 7,54%.

As bolsas tiveram desempenho positivo em quase todos os mercados da Europa. O índice da Bolsa de Milão fechou em alta de 5,62% e Madri teve um ganho de 6,06%. A Bolsa de Paris subiu 4,07%. Frankfurt teve alta de 2,75% e Londres de 1,36%.

Em Nova York, Dow Jones subiu 1,67%, o índice S&P 500 teve alta de 1,65%. e o Nasdaq, 1,37%. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.