Darrin Zammit Lupi/Reuters
Darrin Zammit Lupi/Reuters

Draghi sugere que Banco Central Europeu estuda ampliar estímulos à economia

Presidente do BCE disse que a instituição está disposta a usar todos os instrumentos disponíveis; programa de estímulo é uma forma de injetar dinheiro na economia

Sergio Caldas, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2015 | 13h16

SÃO PAULO - O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, disse hoje que a instituição precisa fazer uma "análise completa" e rever a política monetária de estímulos à economia na reunião de dezembro, quando novas projeções de crescimento e inflação estarão disponíveis.

O comentário de Draghi, feito após a decisão do BCE de manter suas taxas de juros inalteradas nas atuais mínimas históricas (a principal taxa de juros do bloco está em 0,05%), sugere que o BC europeu poderá considerar ampliar seu programa estímulos no final do ano. O BCE está "disposto a usar todos os instrumentos disponíveis", se necessário, ressaltou ele.

Pelo programa, que teve início em março, o BCE compra mensalmente até € 60 bilhões em ativos, formados principalmente por bônus soberanos. Ou seja, é uma forma de o banco central injetar dinheiro na economia.

Na coletiva, Draghi afirmou que o BCE vem monitorando as informações disponíveis desde a reunião de setembro e que o programa de estímulo prossegue tranquilamente. 

Draghi também enfatizou os "riscos negativos" para o crescimento econômico e inflação da zona do euro, relacionados à desaceleração da China e em outras grandes economias emergentes, assim como à fraqueza dos preços das commodities.

Segundo Draghi, a inflação anual do bloco vai continuar baixa nos próximos meses, mas ganhará força na virada do ano e irá se acelerar mais em 2016 e 2017.

Os dados mais recentes mostraram que os preços ao consumidor da zona do euro tiveram queda anual de 0,1% em setembro, a primeira desde o início do programa de estímulo e bem distante da meta de inflação de médio prazo do BCE, que é de taxa ligeiramente abaixo de 2,0%.

O chefe do BCE avaliou também que a situação da inflação no bloco está menos ruim e lembrou que seu núcleo - que exclui os preços de energia - está basicamente estável. A queda vista nos preços do petróleo, destacou ele, deverá dar suporte para a renda das famílias.

Draghi afirmou ainda que a política monetária do BCE deverá sustentar a demanda doméstica e previu que a recuperação da zona do euro terá continuidade, apesar do enfraquecimento da demanda externa. (Com informações da Dow Jones Newswires)

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