Dreyfus busca mais R$ 400 milhões para ficar com a Santelisa Vale

O BNDES, que já é sócio da Santelisa com uma participação de 6,4%, decidiu não fazer novo aporte de recursos

Irany Tereza e Eduardo Magossi, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

O acordo entre o grupo sucroalcooleiro Santelisa Vale e o grupo francês Louis Dreyfus Commodities deve ser concretizado ainda este mês, com a convocação de uma assembleia geral para referendar a reestruturação do grupo, que está sendo coordenada pela gestora de recursos Angra Partners - a mesma que cuidou do acordo Oi-BrT.

De acordo com fontes ligadas à negociação, a Louis Dreyfus deverá buscar um aumento de capital no mercado para finalizar a incorporação da Santelisa. A capitalização terá de levantar cerca de R$ 400 milhões, montante que seria inicialmente colocado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do BNDESPar.

Como o BNDES, que já é sócio da Santelisa com uma participação de 6,4%, não fará novo aporte de recursos, a LDC terá de buscar o dinheiro no mercado, ou atrair um novo investidor. Em último caso, se a capitalização não for bem sucedida, o próprio grupo francês poderá aportar este montante. A ideia é que a integralização desse capital seja feita logo depois da assinatura do acordo, prevista para o fim deste mês. Segundo fonte ligada a um banco envolvido na negociação, a estrutura do projeto financeiro está praticamente pronta.

Depois da reestruturação, a participação acionária seguirá a seguinte distribuição: Dreyfus, com um montante entre 72% e 62%, dependendo do resultado da capitalização; acionistas atuais (as famílias Biagi e Junqueira Franco; o banco norte-americano Goldman Sachs, e o BNDES), 15%; bancos credores (Bradesco, Itaú, Santander e Votorantim concentram dois terços da dívida), com 13%. Caso a capitalização atraia um novo investidor, este ficaria com 10% e a Dreyfus, com 62%.

ENDIVIDAMENTO

A dívida da Santelisa, que já havia chegado a R$ 3 bilhões, caiu para R$ 2,6 bilhões. O acordo com os maiores credores bancários já foi acertado. Estes bancos - Bradesco, Itaú, Santander e Votorantim - concordaram em transformar a dívida em ações para mais adiante o grupo preparar uma oferta inicial de ações no mercado, com a abertura do capital. Mas a negociação para o alongamento de um terço da dívida da Santelisa continua. São cerca de R$ 600 milhões divididos por 15 bancos, e um acordo ainda não foi concluído. O memorando com os quatro principais bancos foi assinado em janeiro, para converter em ações um crédito de R$ 550 milhões, com alongamento da parcela restante por 15 anos.

A Santelisa, hoje o segundo maior grupo sucroalcooleiro do País, manterá a mesma posição de mercado depois da incorporação, mas reduzirá bastante a diferença em relação à primeiro colocada no mercado, a Cosan, que tem expectativa de moer 50 milhões de toneladas de cana este ano.

Com a entrada da Dreyfus, a expectativa é de que a produção do grupo Santelisa Vale passe das 16 milhões de toneladas estimadas para este ano para 35 milhões de toneladas, podendo chegar a 40 milhões de toneladas em 2010.

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