Jose Patricio/AE–10/8/2010
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Droga Raia e Drogasil negociam fusão para liderar setor de farmácias no País

Um ano após a Drogaria São Paulo comprar a rede Drogão, consolidação do setor de farmácias no País vive mais um capítulo: juntas, as duas redes paulistas vão ter um faturamento de aproximadamente R$ 4 bilhões e contabilizar mais de 700 unidades no Brasil

Cátia Luz e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

As redes Droga Raia e Drogasil negociam a fusão de suas operações, formando a maior empresa do setor de farmácias no País, ultrapassando a gigante formada pela união da Drogaria São Paulo com a Drogão, há pouco mais de um ano. As redes devem unir suas operações para criar uma gigante de cerca de R$ 4 bilhões de faturamento anual. As duas empresas confirmaram as negociações em fato relevante.

Ontem, na esteira dos até então rumores sobre as negociações, as ações das companhias - ambas listadas na BM&F Bovespa - tiveram forte alta no pregão. Os papéis da Drogasil avançaram 10,32%, fechando a R$ 11,86. Já as ações da Droga Raia tiveram valorização de 5,26%, terminando o dia a R$ 28.

Segundo a consultoria internacional Euromonitor, Drogasil e Droga Raia, juntas, ficariam com uma fatia de 9,5% do mercado brasileiro, que movimentou quase R$ 43 bilhões no ano passado. Isso daria à nova empresa uma larga vantagem sobre a atual primeira colocada, a Drogaria São Paulo, que tem faturamento de mais de R$ 2 bilhões, segundo informações de mercado.

No fato relevante, as duas empresas dizem apenas que vêm estudando alternativas de estrutura para a operação, bem como negociando um acordo de associação, para regular seus termos e condições. Além disso, os controladores negociam um acordo de acionistas. A Drogasil é assessorada pelo Goldman Sachs e a Droga Raia, pelo Itaú BBA. "A associação está sujeita à conclusão bem-sucedida das tratativas ora em curso entre as duas companhias e tais acionistas", diz o documento conjunto.

Na opinião do diretor-geral da consultoria Alvarez & Marsal no Brasil, Marcelo Gomes, a associação das duas empresas faz sentido do ponto de vista operacional. "As lojas têm perfil parecido, de padrão médio, e com área relativamente grande", explica o consultor.

Do ponto de vista de estruturação do novo negócio, afirma Gomes, a incógnita é quem será a marca "mandante" após a fusão, uma vez que as duas empresas hoje faturam cerca de R$ 2 bilhões, com pequena vantagem para a Droga Raia. Além disso, as varejistas costuram o acordo de pontos de vista societários diferentes: enquanto as decisões na Drogasil são mais concentradas, a Droga Raia já tem os fundos de participações Pragma e Gávea como sócios.

Segundo estimativas, existem hoje cerca de 60 mil estabelecimentos do gênero em funcionamento no Brasil - existe, portanto, bom espaço para consolidação. "Independente de como a estruturação do negócio seja feita, a operação faz sentido na lógica atual do varejo brasileiro", diz o diretor da Alvarez & Marsal. "As margens estão apertadas, e a consolidação é o caminho mais viável", resume Gomes.

Concentração. Caso a fusão realmente ocorra, as duas empresas também assumem a liderança no País em quantidade de lojas: serão cerca de 700 pontos de venda em Estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal.

Porém, a maior parte das unidades está concentrada em São Paulo, onde as duas bandeiras somam cerca de 480 lojas. De acordo com analistas, essa concentração pode se tornar uma "blindagem" contra a entrada de concorrentes em território paulista. As conversas entre Drogasil e Raia ocorrem justamente no momento em que a cearense Pague Menos planeja abrir o capital e se fortalecer no Sudeste - hoje, a maior parte dos negócios da rede se concentra no Nordeste.

Como é de praxe em fusões e aquisições, caso o negócio venha a ser concretizado, terá de ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão de defesa da concorrência no País.

PARA LEMBRAR

Setor está em consolidação

Há um ano, duas transações movimentaram o mercado de farmácias no Brasil. A primeira e maior delas foi a compra da rede Drogão pela Drogaria São Paulo, que voltou ao topo do ranking do setor, com faturamento de mais de R$ 2 bilhões. Em seguida, a Brazil Pharma, holding do banco BTG Pactual, anunciou a compra de metade da rede de farmácias Rosário Distrital, maior do setor no Centro-Oeste. Com a aquisição, a Brazil Pharma passou a reunir 510 lojas, com receita estimada de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão. Em setembro de 2009, o BTG comprou 100% da rede franqueadora Farmais e, em maio de 2010, 75% da Farmácia dos Pobres, com 32 lojas, no Nordeste.

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