Drones ganham mercado civil e militar

Invasão de aeronaves não tripuladas provoca protestos de ativistas de direitos humanos

AP,

14 de agosto de 2013 | 13h20

WASHINGTON - Submarinos, sistemas de detecção de bombas, pequenas lanchas de controle remoto e, sobretudo, os polêmicos drones tomaram conta do Centro de Convenções de Washington diante dos atentos olhares de 8 mil especialistas, mas também sob forte pressão de ativistas de direitos humanos.

As companhias líderes em robótica militar do mundo inteiro estão reunidas na capital americana para mostrar seus últimos avanços na feira da Associação Internacional para Sistemas de Veículos Não tripulados, onde se destacam os polêmicos drones, que chamam a atenção dentro e fora da feira.

Os drones são usados especialmente para ataques militares, mas também são usados para fazer fotos aéreas, divulgação de produtos e até como brinquedos.

A companhia Lockheed Martin, uma das mais fortes no setor e uma das quatro empresas de robótica militar que desenvolveram modelos capazes de serem lançado de porta-aviões, tem drones em uso pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

"Preferimos chamar de veículos aéreos não tripulados", explica Scott Grunwald, representante da Lockheed Martin, que fala sobre o produto sem jamais usar a palavra drone.

A empresa trabalha contra o relógio para destacar alguma das necessidades mais imediatas de melhora desses aparatos e está na feira para mostrar seus avanços em termos de autonomia das suas baterias, que permitem aos modelos menores voar até oito horas seguidas sem parar para recarga.

"O grande desafio está em desenvolver programas para filtrar informações coletadas", considera Grunwald, ao explicar que os drones são muito usados para captar imagens durante 24 horas, sete dias por semana. As informações são cada vez mais importantes nas estratégias militares contra o terrorismo.

Protestos. Dentro do Centro de Convenções de Washington, os visitantes percorrem mais de 550 estandes das empresas e instituições de 40 países participantes da feira, enquantoa nas portas do edifício integrantes do grupo de direitos humanos "Codepink" pedem o fim do uso de aviões não tripulados contra alvos civis.

Cerca de 20 manifestantes, liderados por Medea Benjamin, protestam contra o lobby armamentista, que acusam de estar em um 'negócio vergonhoso' que 'mata civis indiscriminadamente'.

"Estamos aqui para protestar contra a vergonha dessa indústria, que continua fabricando drones que matam gente inocente e que fazem com que o mundo tenha ódio pelos Estados Unidos, porque os drones nos mantém ainda em estado de guerra", disse Benjamin durante a manifestação.

O uso dos aviões não tripulados por parte do governo Obama em sua guerra contra o terrorismo é rechaçada tanto por membros do Congresso como pelos grupos de direitos humanos.

Segundo uma organização de jornalismo investigativo, desde 2009, quando Obama chegou ao poder, o Pentágono e a CIA já fizeram mais de 300 ataques com drones em zonas tribais do Paquistão, com um total de 2,5 mil vítimas, entre elas centenas de civis.

O presidente tem defendido a nova tecnologia por ser mais precisa que outros tipos de bombardeio, mas informações sobre os conflitos indicam que 14% das vítimas eram civis nos ataques de 2011. Em 2012 a porcentagem caiu para 2,5%.

Os ativistas dizem que na zona fronteiriça entre Afeganistão e Paquistão ainda sofrem em média um ataque a cada cinco dias, embora o número tenha caído desde 2010.

A organização AUVSI, com sede em Arlington, na Virginia), se descreve como a maior organização mundial sem fins lucrativos dedicada exclusivamente ao 'avanço dos sistemas não tripulados e robóticos, e afirma ter mais de 2,1 mil membros em 60 países.

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