Duas horas com o avião parado

Helena Orenstein de Almeida é diretora de uma ONG e, por demanda do trabalho, está sempre viajando de avião. Ela coleciona histórias de problemas vividos nos aeroportos, seja por atraso nos voos ou pelo mau atendimento das companhias aéreas.

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

O caso mais estranho que viveu, conta a executiva, está fresco na memória. Foi no dia 7 deste mês, quando voltava do Rio para São Paulo.

"Sabíamos que havia uma forte tempestade acontecendo em São Paulo, mas embarcamos na hora marcada", começa Helena. A alegria dos passageiros, no entanto, durou muito pouco. "Ficamos duas horas com o avião parado, sem ar condicionado. Estava um calor insuportável", conta.

Durante todo o período de espera, nada foi servido aos passageiros. "A bateria do meu celular estava no fim. Pedi para que recarregassem na tomada do avião, mas nem isso era autorizado", detalha Helena.

Os passageiros argumentaram que o Código de Defesa do Consumidor determina que a empresa forneça telefone, internet e alimentação aos clientes em atrasos de mais de duas horas. Mas nem assim eles conseguiram ser atendidos.

Duas fileiras à frente de Helena, uma senhora passou mal e desmaiou. As aeromoças foram alertadas pela passageira de que isso poderia acontecer.

"Disseram que ela falou às comissárias que não poderia ficar tantas horas sem comer. Ninguém fez nada e ela desfaleceu", diz Helena. Em vez de pedirem ajuda no aeroporto, os comissários anunciavam nos alto-falantes do avião: "Há algum médico na aeronave? Temos uma passageira desmaiada", lembra ela.

O clima no avião, ainda no chão, era ruim, afirma a passageira. "Ao meu lado, uma senhora pedia água, mas diziam que não iam servir."

Até que um passageiro sentado em uma das fileiras da frente do avião se levantou e, "educadamente", manifestou a sua indignação sobre todo aquele episódio.

No mesmo momento, as aeromoças voltaram aos alto-falantes. Dessa vez, alertavam o passageiro que manifestava a sua indignação de que a Polícia Federal havia sido chamada e ele seria retirado do avião.

Essa foi a gota d"água para dois advogados que estavam na aeronave. "Quando a polícia chegou, os advogados levantaram e se posicionaram diante dos policiais defendendo o passageiro", conta.

Depois de todo o rebuliço, que Helena classifica como "uma tragédia cômica", o avião finalmente levantou voo. Mas a provocação da tripulação não terminou. Mesmo sem turbulência, anunciavam que não haveria serviço de bordo.

"Eles diziam que haviam recebido notícias de outros aviões que tinham feito aquela rota e tinham enfrentado turbulência", afirma Helena. "E pediam que mantivéssemos os cintos bem apertados."

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