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Duas recessões já fizeram PIB encolher R$ 475 bilhões, diz estudo da FGV

Como o País, de 2017 a 2019, não tinha recuperado o que foi perdido na recessão de 2014 a 2016, o novo tombo aumentou a distância a percorrer para voltar ao nível pré-crises

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2020 | 18h07

RIO - A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus fez a economia brasileira ter uma perda consideravelmente maior na primeira metade de 2020 do que em todo o período recessivo anterior, que se estendeu do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016. As duas recessões econômicas em um curto espaço de tempo fizeram o Produto Interno Bruto (PIB) encerrar o segundo trimestre deste ano R$ 475 bilhões aquém do patamar que exibia no primeiro trimestre de 2014. O resultado considera o PIB acumulado em quatro trimestres, a preços constantes do segundo trimestre de 2020. O País precisará crescer 16,6% para recuperar todas as perdas desde então.

As informações são de um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast. Os dados oficiais do PIB brasileiro referentes ao segundo trimestre de 2020 serão divulgados na manhã desta terça-feira, dia 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A crise sanitária fez a atividade econômica amargar uma retração de 11% nos dois primeiros trimestres deste ano, enquanto a perda da recessão anterior, uma das mais longas da história, foi de 8,1%, calcula a FGV. Como o País, de 2017 a 2019, não tinha recuperado o que foi perdido na recessão de 2014 a 2016, o novo tombo aumentou a distância a percorrer para voltar ao nível pré-crises.

“Essa é a primeira vez que o País entra em uma nova recessão sem sequer ter se recuperado ainda da recessão anterior”, lembrou a economista Juliana Trece, autora do estudo do Ibre/FGV, em parceria com os pesquisadores Claudio Considera e Elisa Andrade.

O levantamento, que considera as estimativas do Monitor do PIB-FGV, mostra que a economia brasileira chega ao segundo trimestre 14,2% abaixo do nível do primeiro trimestre de 2014, antes da penúltima recessão.

“A gente não acredita em recuperação em ‘V’. Mesmo antes da pandemia, o fato de a atividade econômica não ter conseguido se recuperar totalmente da última recessão é uma prova de que estava ainda sem fôlego. Os problemas de antes continuam, e agora ainda tem o agravante da pandemia”, disse Juliana.

Segundo a economista do Ibre/FGV, o momento é de elevadas incertezas, não apenas pela resposta dos diferentes segmentos econômicos à crise atual como pela própria evolução da pandemia do novo coronavírus.

“A vacina (contra a covid-19) vai ajudar, mas não é garantia que a economia volte 100% ao que era antes. Estamos esperando uma retomada lenta. Abril foi o pior momento, isso é consenso entre os economistas. Mas há muitos desafios envolvidos ainda”, ressaltou Juliana Trece.

Na atual recessão - iniciada no primeiro trimestre de 2020, segundo o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace/FGV) -, o PIB Agropecuário cresceu 0,8%. Na recessão que se estendeu do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016, o setor avançou 2,1%.

"O agronegócio tem a questão das exportações, não responde aos ciclos econômicos. Está exportando mais para a China. E também cresceu na recessão passada. Já a indústria cai bastante, é uma atividade pró-cíclica", justificou a pesquisadora do Ibre/FGV.

A perda o PIB da Indústria na atual recessão foi de 14,3%, ante uma retração de 13,4% no período recessivo anterior. O diferencial da recessão atual é a perda acentuada no PIB de Serviços, responsável por cerca de 74% da economia brasileira, que encolheu 9,7% nesses dois primeiros trimestres de 2020, ante uma queda de 5,8% na recessão anterior.

"Das sete atividades dos serviços, cinco estão em seu pior momento. É uma queda que nunca vimos antes. É o setor que mais emprega na economia. Obviamente, enquanto não houver solução para a pandemia, esse setor terá dificuldades, especialmente os que dependem de aglomerações presenciais. Mas, mesmo depois da vacina, haverá desafios. Quando o pagamento do auxílio emergencial terminar, isso pode trazer mais dificuldades. É uma situação muito delicada e atípica", avaliou Juliana Trece.

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