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Duas Rodas investe R$ 200 milhões para agregar valor a vegetais nativos

Plano é ampliar em 40% a capacidade de produção até 2024 e aumentar as exportações para Europa, Estados Unidos e Ásia

Letícia Pakulsi, Isadora Duarte, Clarice Couto e Augusto Decker, Broadcast Agro

02 de maio de 2022 | 05h00

A catarinense Duas Rodas, que produz ingredientes e aromas para alimentos e bebidas a partir de plantas e frutas, vai investir R$ 200 milhões até 2024 para ampliar em 40% a capacidade produtiva. A ideia é aumentar a exportação para Europa, Estados Unidos e Ásia – atualmente, a empresa vende para mais de 30 países. Hoje, adquire açaí, acerola, semente de guaraná e erva-mate de uma cadeia que envolve 1,8 mil produtores, via negociação direta ou por intermédio de cooperativas.

A empresa fornece assistência técnica e transforma os produtos em itens como extratos com concentração de vitamina C ou antioxidantes. Para 2022, a empresa prevê faturamento 23% acima do R$ 1,2 bilhão de 2021. No 1.º trimestre, já cresceu 30%.

Exportação deve ganhar participação

A venda externa, que representa 25% do faturamento da Duas Rodas, passará a ser metade da receita até o fim de 2024. “O mercado externo tem olhado essas plantas regionais com mais interesse do que o próprio Brasil”, diz Leonardo Zipf, presidente da empresa.

Aporte para produzir mais no País

Os investimentos serão para a aquisição de equipamentos, a automatização e a melhoria das instalações das fábricas em Jaraguá do Sul (SC), São Bernardo do Campo (SP) e Estância (SE). A Duas Rodas também prevê crescer por meio de aquisições, ainda este ano, nos Estados Unidos e na Europa.

 

Na lupa

A Tropical Melhoramento & Genética (TMG), de sementes, investiu R$ 400 mil na construção de um laboratório de fitopatologia em Cambé (PR). A unidade, já em operação, é voltada ao estudo e à avaliação de doenças em plantas, além de testes de resistência das variedades às doenças. Tem capacidade de analisar cerca de 550 mil plantas por ano – mais que o dobro dos últimos três anos. “O laboratório é equipado com o que há de melhor para análises sanitárias e fenotipagens de soja, algodão e milho”, diz Heitor Dias, coordenador de Pesquisa da TMG.

 

Menos CO2

A Nestlé reduziu em 15% as emissões de dióxido de carbono (CO2) na captação de leite dos produtores parceiros para a fábrica da Ninho em Araçatuba (SP). O resultado vem do uso de um caminhão movido a gás natural veicular para o transporte do leite desde agosto passado. O veículo roda mensalmente cerca de 8 mil quilômetros e transporta mais de 600 mil litros de leite. A gigante de alimentos e bebidas estuda a expansão do projeto, até então piloto, para outras regiões.

 

Na mesma toada

 A Embrapa prevê finalizar este ano o protocolo de café de baixo carbono, conta à coluna Celso Moretti, presidente da estatal. A metodologia determinará as características do cultivo de um grão de baixa emissão de gás carbônico. “Estamos avançando para um modelo de sistema de produção que permita ter o café de baixo carbono e depois futuramente o carbono neutro”, diz. Iniciativas semelhantes da Embrapa já existem para carne, leite e soja.

Linha cruzada

 A HO Genética, marca de genética de soja da empresa Seedcorp/HO, acaba de fechar acordo de licenciamento de sua tecnologia para a SLC Sementes. Assim, a empresa do grupo SLC Agrícola poderá vender variedades com marca própria, mas genética da HO, que será remunerada com royalties, explica Fábio Ruggiero, diretor de Marketing e Licenciamento da Seedcorp/HO. Das sementes vendidas para a próxima safra, 2022/23, 28% devem ser da HO, prevê a SLC. 

Abre leque

Fruto da fusão em 2017 das empresas Seedcorp e Horus Sementes, a Seedcorp/HO faturou R$ 653 milhões em 2021 no Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Além da SLC Agrícola, tem acordos de licenciamento da marca HO Genética com sete empresas, como a Nutrien. Para 2022, a perspectiva é crescer 30%, atingindo faturamento de R$ 850 milhões e 10% do mercado brasileiro de sementes de soja. “Esperamos ter uma participação relevante na SLC Sementes”, afirma.

 

GIRO

Premiação na Agrishow deve impulsionar agtech

 A Tarvos, vencedora do primeiro Prêmio Agrishow de Startups, espera atingir um faturamento próximo de R$ 3 milhões neste ano, quase cinco vezes os R$ 670 mil de 2021, conta Andrei Grespan, o CEO. Fundada há cinco anos e com Syngenta e FMC entre os clientes, a agtech faz análises e alertas sobre possíveis ataques de pragas a talhões. 

 

VEM AÍ

Importação de fertilizantes no radar do mercado

 Produtores rurais e indústrias de fertilizantes aguardam os dados de importação de abril, que serão divulgados na quinta-feira pelo governo. Pelos números esperam mensurar como está o fluxo de adubos russos ao País em meio à guerra Rússia-Ucrânia e se há comprometimento de cargas. Os embarques por lá caíram.

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