Dubai fica em segundo plano e Bovespa sobe 1,04%

Investidores concluíram que houve exagero na precificação dos riscos implícitos no anúncio do banco árabe

Claudia Violante, da Agência Estado,

27 de novembro de 2009 | 18h37

A queda das bolsas quinta-feira, 26, em razão dos piores temores do que viria após o conglomerado Dubai World anunciar a paralisação temporária no pagamento da dívida acabou se tornando nesta sexta-feira, 27, numa oportunidade de compras de ações. Pelo menos na Europa e na Bovespa. As bolsas americanas, que não funcionaram na quinta-feira em razão do feriado do Dia de Ação de Graças, nesta sexta passaram por uma correção e fecharam - mais cedo - em baixa.

 

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O Ibovespa subiu 1,04%, aos 67.082,15 pontos. Na mínima do dia, registrou 65.737 pontos (-0,99%) e, na máxima, 67.086 pontos (+1,05%). Na semana, acumulou alta de 1,14%, no mês, de 9% e, no ano, de 78,65%. O giro financeiro totalizou R$ 4,592 bilhões. Os dados são preliminares.

 

O sinal negativo de quinta, 26, ainda se estendeu durante parte da sessão desta sexta, 27. Mas, depois, os investidores concluíram que houve exagero na precificação dos riscos implícitos no anúncio da reestruturação da dívida do Dubai World. Mas isso só na Europa e Brasil.

 

Nos EUA, sessão mais curta na sequência do feriado de Ação de Graças não impediu os principais índices de ações fecharem em baixa acentuada. Os papéis refletiram justamente os temores sobre o potencial impacto dos problemas da dívida da Dubai World. O índice Dow Jones caiu 1,48%, aos 10.309,92 pontos, recuando da máxima em 13 meses alcançada na quarta-feira e registrando a maior queda em um dia desde 30 de outubro. Na semana, o Dow registrou uma queda de 0,08%. O índice Nasdaq caiu 1,73% e fechou com 2.138,44 pontos. O S&P-500 recuou 1,72%, para 1.091,49 pontos. Na semana, o Nasdaq acumulou uma perda de 0,35% e o S&P-500 ficou estável com uma variação de 0,01%.

 

Na Europa, as bolsas viraram para cima e fecharam em alta. Em Londres, o índice FT-100 subiu 0,99%, aos 5.245,73 pontos; em Paris, o índice CAC-40 avançou 1,15%, para 3.721,45 pontos; em Frankfurt, o índice Dax-30 subiu 1,27%, aos 5.685,61 pontos. As ações de bancos que foram especialmente atingidas na quinta-feira recuperaram algum equilíbrio nesta sexta.

 

Isso também aconteceu no Brasil, onde os bancos não têm exposição a ativos em Dubai. Bradesco PN subiu 0,76%, Itaú Unibanco PN, 0,61%, e BB ON, 1,95%.

 

Na avaliação do economista da Legan Asset, Fausto Gouveia, Dubai acabou servindo como uma oportunidade de compra aos investidores no Brasil, já que a Bovespa tinha fechado na quarta-feira às portas dos 68 mil pontos, superando 80% de ganhos no ano. "A notícia já foi precificada. Foi pontual e restrita. Não deve haver contaminação. A queda das ações foi mais um susto com a memória recente do que um problema estrutural dos bancos", avaliou.

 

Um indício importante desse efeito, segundo ele, é a recuperação dos preços das commodities, que deixaram as mínimas para trás. O petróleo, por exemplo, chegou a cair mais de 5% na sessão, mas fechou em metade disso: -2,45%, no contrato para janeiro negociado na Nymex, a US$ 76,05 o barril.

 

O recuo do petróleo e de grande parte das commodities metálicas não impediu Vale e Petrobrás de fecharem no azul. Petrobrás ON avançou 1,44%, PN, 1,17%, Vale ON, 1,64%, e PNA, 0,99%.

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