Dubai vai de entreposto a parada obrigatória

Em uma década, país-cidade dos Emirados Árabes Unidos tem seu aeroporto recebendo mais voos que o tradicional londrino Heathrow

Jad Mouawad , THE NEW YORK TIMES

21 de junho de 2014 | 03h00

Os artifícios para atrair atenção e passageiros - uma rifa de US$ 1 milhão, a chance de ganhar um Porsche 911, ou um festival de compras com duração de um mês - ainda estão lá, mas não são mais necessários. Viajantes de todo o mundo já não precisam ser atraídos para este antigo e árido entreposto comercial na borda do Golfo Pérsico. 

De seu início humilde como parada de reabastecimento para viajantes sem nenhum desejo de permanecer num canto inóspito da Península Arábica, o aeroporto de Dubai superou recentemente o Aeroporto Heathrow em Londres como o centro aeroportuário internacional mais movimentado do mundo. Há apenas uma década, Dubai figurava como o 45.º maior aeroporto internacional. 

A ascensão de Dubai como moderna encruzilhada ligando o Oriente ao Ocidente - com o nome de sua companhia aérea local, Emirates, adornando as camisas de alguns dos melhores times de futebol do mundo e patrocinando carros de Fórmula 1 e o torneio Aberto de Tênis dos Estados Unidos - é um conto de globalização e ambição, e uma aposta audaciosa no futuro das viagens aéreas. 

Com poucos recursos naturais, petróleo quase só para o seu próprio gasto, somente 168 mil habitantes e temperaturas médias acima de 38 graus celsius de maio a setembro, Dubai fez uma aposta arriscada. 

Mas o que falta a Dubai em clima é mais do que compensado pela geografia. Situado a oito horas de voo de dois terços da população mundial, Dubai criou um centro aeroportuário global que pode conectar virtualmente quaisquer duas cidades do mundo com apenas uma parada. E apesar da última recessão econômica, ele fez grandes planos para construir um segundo aeroporto que será muito maior que o existente na próxima década. 

Desde os anos 80, quando seus governantes decidiram transformar a cidade num destino turístico, os maiores empreendimentos de Dubai incluem dois dos maiores shopping centers do mundo, o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, medindo 815 metros, e ilhas artificiais em forma de palmeiras que podem ser vistas do espaço. 

Mas a pedra angular da estratégia foi criar uma nova companhia aérea e construir uma infraestrutura de aviação em torno dela para sustentar seu crescimento. “A companhia é a peça chave do sucesso de Dubai”, disse Jim Krane, um especialista em Golfo no Baker Institute for Public Policy da Universidade Rice, e autor de City of Gold: Dubai and the Dream of Capitalism. 

A Emirates foi criada em 1985 com uma doação de US$ 10 milhões do governo de Dubai e um par de aviões Boeing 727. O catalisador foi uma decisão da Gulf Air, a principal empresa de transporte da região na época, de reduzir seus voos semanais entre os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão em razão de uma disputa sobre direitos de tráfego. 

A empresa cresceu rapidamente graças a políticas de céu aberto que favoreceram o desenvolvimento do setor de aviação e um ambiente empresarial favorável a estrangeiros. 

Também ajudou o fato de o chairman e presidente da Emirates, o xeque Ahmed bin Saeed al-Maktoum, ser também o chairman da Dubai Airports, presidente da Autoridade de Aviação Civil de Dubai e chairman da Flydubai, uma empresa aérea com preços econômicos. Ele é também o tio do atual governante de Dubai, xeque Mohammed bin Rashid al-Maktoum. 

Dubai recebeu 67,3 milhões de passageiros nos 12 meses até fevereiro, de acordo com o Airports Council International, saltando pela primeira vez à frente dos 66,9 milhões de viajantes internacionais de Heathrow e os 59,9 milhões de Hong Kong. O aeroporto fica atrás do Hartsfield-Jackson Atlanta International Airport e seus 95 milhões de passageiros, embora muitos destes sejam viajantes domésticos. Com a taxa de crescimento de Dubai, ele deverá superar Atlanta dentro de alguns anos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK 

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